sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Organizações estudantis não devem ser espaço de debate de questões ideológicas

Um comentário feito ao post A escola oculta o genocídio socialista! diz o seguinte: "porque os estudantes liberais não disputam o movimento estudantil? Seria um bom espaço para o debate". Na verdade, não seria, conforme já discuti em outros textos deste blog.

Ora, se a política estudantil se concentrasse naquilo que realmente interessa aos estudantes, e que está ao alcance da intervenção de suas organizações de representação, o alinhamento ideológico dos alunos não teria a menor importância. De fato, se os centros acadêmicos e DCE's se dedicassem a debater e a influenciar em questões  acadêmicas e profissionais, e com o objetivo de melhorar a qualidade da formação profissional e da pesquisa científica, não faria diferença alguma se os integrantes de uma determinada gestão são socialistas, anarco-capitalistas ou monarquistas.  

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Pelé não foi vítima de racismo, mas de racialismo, sim

Em seu livro Não somos racistas, Ali Kamel mostra como as teorias que dividem o Brasil em brancos e negros (mesmo com a imensa miscigenação!) foram aos poucos tomando conta do modo de pensar nacional, até se tornarem hegemônicas. Se me perguntarem sobre algum acontecimento que sirva como emblema de quando e como essa mudança aconteceu, eu cito uma entrevista que o Pelé concedeu a um grupo de jornalistas da TV Cultura, num programa que antecedeu o Roda Viva.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sim, a escola varre as milhões de vítimas do socialismo para debaixo do tapete

Um estudante de história mandou um comentário com críticas ao texto A escola oculta o genocídio socialista!, o qual merece uma resposta mais longa. Ele começa dizendo o seguinte:
É um equívoco você acusar os socialistas de silêncio com relação aos crimes de Stálin, Mao ou Polt Pot tendo por base o livro do Mário Schmidt. Qualquer um que faça uma universidade ou estuda em um colégio no nível médio, sabe dos horrores das ditaduras comunistas/socialistas ao longo do século XX. Eu tenho professores de esquerda, uma minoria já que a maioria não liga para política ou questões sociais, que fazem questão de falar sobre isso para justamente demonstrar que estão bem longe desses monstros.

sábado, 8 de dezembro de 2012

"Oscar Niemeyer é um déspota"

Quem é o autor da frase que serve de título para este post? Dirão geógrafos e petralhas que só pode ser algum direitista, um conservador qualquer que, por não gostar das ideias políticas do genial arquiteto, nega também o seu talento profissional. Nada disso! Quem fez essa afirmação foi o marxista Marshall Berman, autor do livro Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade (Companhia das Letras, 1986).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pau bem dado em Paulo Freire na Gazeta do Povo

O jornalista José Maria e Silva acaba de publicar uma excelente crítica à Paulo Freire no jornal Gazeta do Povo. O título do artigo é Autoajuda marxista, e demonstra, na mesma linha de David Vieira e de Sol Stern, que o mal chamado "método Paulo Freire" não foi inventado por este que lhe emprestou tal nome (a rigor, já existia pelo menos desde 1915) e que o livro Pedagogia do oprimido nem sequer é um trabalho sobre educação, mas uma simples coletânea de "platitudes marxistas" (a expressão é de Stern). 

Recomendo fortemente a leitura do artigo e também do texto que um discípulo de Freire publicou na mesma edição do jornal (ver aqui). Ao contrário dos professores influenciados por Freire, quem discorda das ideias dele gosta de dar voz ao contraditório...

domingo, 2 de dezembro de 2012

A escola oculta o genocídio socialista!

Um comentário sobre o meu post anterior tratava de indicações de bibliografia a respeito de alguns líderes socialistas genocidas. É claro que o comentário foi redigido por uma pessoa que está fazendo uma pesquisa aprofundada sobre o assunto, e tanto que se dispôs a atravessar as mais de 800 páginas da célebre biografia de Josef Stálin escrita pelo historiador Simon Sebag Montefiori. Mas esse comentário me fez recordar do alarmante contraste entre as toneladas de documentos históricos que expõem os massacres gerados pelo socialismo, em todos os países onde esse sistema foi implantado, e o silêncio absoluto dos nossos professores e livros didáticos sobre o assunto. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sindicatos de professores universitários também não querem saber de bônus

Imagem publicada no blog do professor Adonai Sant'Anna
Um professor fez um comentário ao texto Pesquisas atestam o papel nefasto dos sindicatos de professores e, como a minha resposta acabou complementando a discussão feita ali com informações sobre a universidade, avaliei que seria interessante transformá-la em um post. Vejamos os questionamentos dele e, na sequência, a minha resposta.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

CQD: Pesquisas atestam o papel nefasto dos sindicatos de professores

No texto Premiar os melhores professores, eu apresento uma série de críticas aos interesses corporativistas manifestos na retórica utilizada pela Apeoesp para repudiar a política de gratificação de professores executada pelo governo do estado de São Paulo. Trata-se de uma análise argumentativa que, ao pôr em destaque as contradições e truques retóricos dos sindicalistas e de seus paus mandados no jornalismo, revela o interesse daquela corporação em preservar o pacto de mediocridade que impera em nossas escolas. E há muitas evidências empíricas que corroboram as conclusões a que cheguei nessa análise, como se lê num ótimo artigo publicado estes dias por Gustavo Ioschpe. Embora sem mencionar os sindicatos, o autor apresenta resultados de pesquisas quantitativas para desmontar certos lugares comuns que os sindicalistas dessa categoria usam em sua pregação. Sendo assim, apresento abaixo duas alegações muito repetidas por sindicatos como a Apeoesp e as informações de pesquisas citadas por Ioschpe que justificam as minhas contestações:

domingo, 18 de novembro de 2012

Quando a ciência dos livros didáticos é só preconceito

Uma das funções essenciais do ensino fundamental e médio é transmitir aos alunos um conhecimento introdutório sobre algumas teorias científicas acerca de fenômenos naturais e sociais. Daí ser importante selecionar teorias já devidamente provadas pelos métodos científicos para elaborar os conteúdos didáticos. No caso das ciências naturais, isso não representa um grande problema, ao menos nos dias atuais, porque as teorias são testadas exaustivamente por experiências controladas e por observações empíricas. Já no caso das ciências sociais, aí incluída a geografia humana, a questão é bem mais complicada. Na impossibilidade de validar objetivamente as teorias por meio de experimentos, e uma vez que as observações empíricas costumam deixar muitas dúvidas sobre quais são os fatores causais envolvidos na explicação de um fenômeno, bem como sobre a contribuição específica de cada fator, a validação acaba sendo feita pela formação de consensos entre os pesquisadores. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Elio Gaspari é outro Sarney do jornalismo

Quando a incoerência dos argumentos usados por um jornalista para defender suas preferências ideológicas e partidárias é tão grande que toca as raias da desonestidade intelectual, é sempre o caso de perguntar se o autor tem um apego dogmático às suas convicções ou se ele está produzindo retórica para defender ideias e forças políticas nas quais ele próprio não acredita. É o caso de Mino Carta e de Paulo Henrique Amorim, jornalistas que, emulando o adesismo de políticos como José Sarney, estão sempre ao lado dos poderosos, sejam eles ditadores militares, Orestes Quércia, FHC ou o PT (ver aqui). 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vem aí "Por uma crítica da geografia crítica"

Acho que nunca fiquei tanto tempo sem publicar post novo. É que os últimos dias foram corridos, entre outras razões, pelos preparativos finais para a publicação do livro Por uma crítica da geografia crítica, pela Editora da UEPG. Essa obra complementa os trabalhos que publiquei sobre a geocrítica desde 2001, conforme eu explico resumidamente no texto que acabei de preparar para a contra capa. Assim, decidi compartilhá-lo com os leitores deste blog, conforme segue:

Ruy Moreira afirma e insiste que a geografia crítica nunca existiu como corrente de pensamento. Por sua vez, Ana Fani assegura que a geocrítica existe, mas lamenta que, depois das conquistas teóricas dos anos 70 e 80, entrou em refluxo. Enquanto isso, geógrafos de projeção, como Rogério Haesbaert e Marcelo Lopes de Souza, recusam o rótulo de geocríticos e afirmam não ter a preocupação de classificar seus trabalhos em qualquer corrente. Mas estão todos errados. A geocrítica não só existiu como está mais forte do que nunca, sendo hegemônica na geografia brasileira atual. Tanto que Haesbaert e Souza reproduzem os pressupostos da geocrítica em seus trabalhos e, mesmo assim, não se assumem como geocríticos e nem são vistos desse modo por seus pares. O motivo disso é que, hoje, as teses da geocrítica são vistas como verdades tão óbvias que culpar o capitalismo e a democracia representativa pela violência urbana, pela pobreza, por problemas ecológicos ou de qualquer outro tipo é o mesmo que dizer “Cabral chegou ao Brasil em 1500”. Nesse contexto, a missão deste livro é demonstrar a hegemonia da geocrítica no cenário contemporâneo e analisar criticamente seus pressupostos teórico-metodológicos e políticos, manifestos na pesquisa acadêmica, nas propostas de planejamento e também no ensino. Trata-se, pois, de um convite a refletir sobre o que foi e o que é essa tendência da geografia que se fez dominante ao ponto de tornar-se quase invisível.   

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Hobsbawn merece as críticas que recebeu

Num país onde o marxismo ainda faz tanto sucesso na academia e nas escolas, como é o Brasil, o historiador Eric Hobsbawn é uma autêntica vaca sagrada, um intocável do mesmo nível de uma Marilena Chauí, uma Maria da Conceição Tavares, um Milton Santos, um Emir Sader. Felizmente, porém, Demétrio Magnoli publicou um artigo que põe o sujeito em seu devido lugar: o de um historiador que aproveitou a notoriedade acadêmica conquistada com obras como a trilogia das "eras" para tecer mentiras justificadoras do genocídio praticado pelos socialistas, especialmente por Stálin, e apresentá-las como se fossem conclusões de estudos científicos sérios.

sábado, 27 de outubro de 2012

Malala, Síria e a impotência do politicamente correto

Uma das melhores análises que li sobre as reações ocidentais à explosão de violência e intolerância detonada pelo vídeo que ridicularizava Maomé foi elaborada pelo cientista político Heni Ozi Cukier, e serve igualmente bem para balizar a discussão sobre o ataque à estudante Malala e a participação de jihadistas nas insurreições contra a ditadura síria. O argumento central dele é que o discurso politicamente correto e o relativismo cultural são impotentes para a construção de uma crítica construtiva à violência e intolerância religiosa que marcam o Oriente Médio, já que, ao buscarem explicar tais fenômenos, acabam apontando causas externas à região e/ou justificando a barbárie com o argumento de que os muçulmanos são democráticos de uma forma própria. Por isso, ele propõe que é preciso entender esses problemas como tendo causas internas aos países islâmicos, sendo a principal delas a rejeição aos valores democráticos.

Nesse sentido, o autor propõe a mesma linha de análise que eu procurei desenvolver no post que comenta a onda de violência ocorrida no rastro do vídeo acima citado, conforme se lê aqui. Abaixo, publico o texto de Cukier.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"O Leopardo" e as ironias da história

Um livro que fazia muito sucesso entre acadêmicos e ativistas políticos e estudantis da USP na segunda metade dos anos 1980 era O leopardo, de Tomasi di Lampedusa (Círculo do Livro, s.d.). Trata-se de um romance biográfico que narra a vida do Príncipe de Salina, avô do autor, desde a maturidade até a morte. Como estávamos na Nova República, os uspianos adoravam citar uma frase desse livro, atribuída ao Príncipe, que era mais ou menos assim: "é preciso que as coisas mudem para continuarem como estão". 

A citação visava mostrar que a mudança produzida com o fim da ditadura era mais ilusória do que de fato, pois tratava-se de uma nova jogada das "elites" para continuar no poder. E, numa perspectiva histórica mais ampla, essa frase era repetida com o fim de ilustrar o conceito de "modernização conservadora", usado pela esquerda intelectual e política para explicar a resistência de estruturas socioeconômicas e políticas arcaicas no Brasil, bem como a longevidade de certos grupos políticos no poder.

domingo, 21 de outubro de 2012

Paulo Sergio Pinheiro está se lixando para a sociedade

Não vou repisar aqui as críticas que já foram feitas à tal Comissão Nacional da Verdade. Já foi dito alhures que a própria existência dessa comissão é um arroubo autoritário do governo, que está tentando estabelecer uma verdade oficial de Estado. E os críticos também já ressaltaram que os integrantes da Comissão desrespeitam a própria lei que a instituiu para poderem agir de modo parcial, posto que o objetivo deles não é fazer jus à verdade coisa nenhuma, mas apenas reforçar a mentira de que guerrilheiros e terroristas como José Genoino e Dilma Rousseff teriam lutado em defesa da democracia. Sendo assim, vou apenas complementar essas análises fazendo reparos à forma como a dita comissão está tentando interferir no sistema de ensino, já que esse é um tema central para este blog. Vejamos a notícia que trata do assunto (disponível aqui):

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sobre um comentário olaviano

O comentário de um olaviano ao post Uma nota sobre Olavo de Carvalho diz várias coisas que merecem reparos. Vamos ver por partes:
nao tem mto o q comentar, o cara pra começar fala q nao leu nenhum livro do olavo, fala que citou artigos dele de cabeça, da um rotulo de teoria de conspiração a alguns pontos soltos que o olavo afirmou.

domingo, 14 de outubro de 2012

O problema não são os alunos, muito menos um aluno

Recebi um e-mail que comentava o fato de que alguém reproduziu o post Baixa qualidade do ensino médio se reflete na universidade em provas anedóticas numa página do Facebook sobre geografia. Como não tenho Facebook, não sei o que andam comentando por lá, mas, a julgar pelo e-mail, é provável que os comentadores estejam mais interessados em fazer piadas do que em discutir a questão que eu propus, que é o caráter demagógico da política de cotas raciais e sociais. Como eu disse, tal política só serve para Lobões e petistas fazerem de conta que estão promovendo grandes mudanças na educação mesmo sem atacarem realmente o problema da qualidade do ensino.

Ora, os vários exemplos de erros anedóticos que eu citei serviam como evidências da má qualidade do nosso ensino médio. Não têm valor estatístico, mas ilustram o que algumas pesquisas recentes já vêm demonstrando, isto é, que os universitários brasileiros costumam apresentar sérias deficiências no aprendizado de língua portuguesa. Nesse sentido, em vez de as pessoas ficarem fazendo comentários na linha "pérolas do vestibular e do Enem", deveriam discutir a questão geral que eu propus. Afinal, se a falha está na má qualidade do ensino médio, conforme eu afirmei, qual é o sentido ou a utilidade de falar como se houvesse um problema com determinados alunos que escreveram isto ou aquilo?

Enfim, não acompanho o Facebook, mas me parece que é isso o que anda rolando por lá. Aliás, é por causa do tempo que as pessoas perdem com essas coisas, entre outras razões, que eu não tenho Facebook.

OBSERVAÇÃO - Não vou reproduzir o e-mail aqui por se tratar de correspondência privada, e eu não pedi autorização para reproduzi-lo, nem para dizer de quem é.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Petismo controla as escolas e não fica só na mentira

Já escrevi textos comparando os discursos do PT aos métodos de propaganda nazistas, na medida em que uns e outros seguem a estratégia de mentir repetida e descaradamente até que a mentira se torne verdade. E também tenho procurado mostrar que a hegemonia da geocrítica, refletida na opção preferencial dos geógrafos pelo PT, transforma a pesquisa em peroração ideológica e o ensino em doutrinação. Daí que os professores não têm o menor pudor de transformar as salas de aula em palanque de propaganda petista - meus professores do ensino médio, trinta anos atrás, já faziam isso amiúde.

Pois acabei de assistir a um vídeo, disponível no site Escola Sem Partido, que mostra o lado mais explícito e tenebroso do aparelhamento das instituições de ensino pelo PT. Uma escola pública é usada para a campanha eleitoral de um candidato desse partido, em total desrespeito à lei, e o repórter que denunciou o fato foi agredido por militantes do PT ao ponto de ficar com o rosto sangrando! Recomendo fortemente esse vídeo, disponível aqui.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Baixa qualidade do ensino médio se reflete na universidade em provas anedóticas

Não gosto de fazer inferências a partir de exemplos isolados, mas vou citar uma passagem escrita em uma prova que eu corrigi para dar uma ideia de como andam as coisas no ensino superior:
um exemplo é se uma pessoa vai ao mercado e compra uma moça, a única utilidade para a moça é comer mas se tem muitas moças nos mercados, chega um ponto que as pessoas ficam satisfeitas de moça, tanto faz uma ou mais moças, então o valor marginal da fruta em questão ira cair.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Delfim Netto não virou companheiro só por conveniência

É preciso mesmo ter estômago para ler o artigo que Delfim Netto, antigo czar da economia durante a ditadura militar, publicou na Folha para defender Lula das acusações de Marcos Valério. Mas não vou tratar das incoerências e até hipocrisias desse "signatário do AI-5 e último dignitário da ditadura" quando ele se põe a falar em nome da democracia para ameaçar a imprensa, pois Reinaldo Azevedo já lhe deu um pau muito bem dado (aqui). Vou apenas acrescentar que a afinidade de Delfim Netto com o PT não se deve apenas ao ódio que ambos devotam à democracia, em nome da qual falam, mas também ao fato de que a atual política econômica é o horizonte possível do estatismo que muitos petistas um dia quiseram socialista ou nacional-popular.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Uma nota sobre Olavo de Carvalho

Ao comentar o post A culpa da nossa direita, um leitor fez indagações bastante interessantes sobre o intelectual conservador Olavo de Carvalho. Avaliei que essas perguntas mereciam uma resposta mais ampla, então resolvi escrever um pequeno texto a respeito. Vejamos:
Algo que me intriga bastante nesse contexto [da direita brasileira] é o filósofo (questionado enquanto tal, e louvado também) Olavo de Carvalho, que ora me parece lúcido e erudito, ora parece um teórico da conspiração e mesmo um fanfarrão, com afirmações sobre geocentrismo, relatividade, religião, políticas afirmativas e outras coisas completamente toscas. Perguntei isso há pouco em outro post (sobre o economicismo na geografia), mas creio que este aqui seja um espaço mais adequado, sobre o que acha deste autor? Pergunto pois ele é certamente uma das maiores forças e influências intelectuais conservadoras do país (embora viva fora), e as opiniões, positivas ou críticas, a respeito dele, raramente são equilibradas e sensatas como as suas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Associação dos Professores da UFPR já me roubou três vezes!!

Pouco depois de ingressar na carreira docente, filiei-me à APUFPR. Acho que não deu nem dois meses para eu ir lá na sede da entidade solicitar minha desfiliação. Quando me perguntaram o motivo, falei que estava com pouco dinheiro, mas que voltaria a me filiar quando as coisas melhorassem. Era a mesma mentira que eu conto sempre que desejo dispensar um produto ou serviço sem dar explicações(*). A verdade é que eu me desinteressei do sindicato por não concordar com nada do que eles defendem (algo que eu confirmei plenamente ao ler os boletins informativos que me entregavam) e também porque a associação não oferecia nenhuma vantagem prática. Nem um plano de saúde com preços melhorzinhos eles ofereciam.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Marcos Valério nos dá nova chance de democratizar as instituições. Mas é pouco provável que aconteça

Conforme expliquei em posts anteriores, o escândalo do mensalão não significou nada em termos de consolidação da democracia ou das instituições brasileiras, visto que, de um lado, o sistema político protegeu-se de qualquer depuração que pudesse resultar das investigações e, de outro, o Ministério Público Federal - MPF, recusou-se a utilizar a prisão preventiva e a delação premiada para produzir provas concretas da montagem da "sofisticada organização criminosa" denunciada. O resultado é que quase nenhum das dezenas de políticos acusados de receber suborno e/ou de outras ilegalidades teve o mandato cassado pelo Congresso, não houve abertura de processo de impeachment contra Lula por conta das ilegalidades comprovadas nos gastos de sua campanha eleitoral e, por fim, a denúncia do MPF deixou Lula de fora do banco dos réus. Para piorar, a qualidade do Supremo Tribunal Federal - STF foi reduzida com as nomeações de Dias Tofolli e de Ricardo Lewandowski, ambos indicados por Lula e aprovados pelo Senado, conforme visto.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Islã precisa de reforma religiosa, mas isso é lá com eles

Escrevi recentemente um post para homenagear a revista Primeira Leitura, o qual comentava um texto publicado nessa revista acerca da história das Cruzadas (ver aqui). Coincidentemente, poucos dias depois, irrompeu uma onda de fúria nos países muçulmanos por conta de um filmeco que critica e ridiculariza Maomé. E logo apareceram artigos na imprensa clamando para que os ocidentais não caiam na armadilha da "islamofobia", chamando a atenção para o fato de que a maioria dos muçulmanos são pessoas comuns, que querem trabalhar, cuidar de suas próprias vidas, e que essa maioria não pode ser confundida com uma pequena parcela de fanáticos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Por que tratar de política aqui. Ou: por que a maioria não aprende com a realidade?

Pode parecer estranho ficar tratando de política num blog que, conforme está dito logo aí em cima, se destina a dar tomatadas na geografia e no sistema de ensino atuais. Mas não é. A predominância de teorias e ideologias anticapitalistas nas ciências sociais e em nosso sistema de ensino faz com que inexista, por definição, quaisquer distinções entre posicionamentos político-ideológicos, propostas de políticas públicas e opções teórico-metodológicas em nosso universo acadêmico. 

Quem diz isso nem sou eu, mas os próprios autores que eu critico aqui. Aqueles que se inspiram em gente como Paulo Freire e Milton Santos são justamente os primeiros a dizer que é impossível separar ciência, educação e ideologia e a acusar os intelectuais que deles discordam de serem “ideólogos”, “de direita”, “neoliberais”, etc. Nesse sentido, a refutação da teoria social crítica e da pedagogia freiriana tem necessariamente de mostrar, pela análise da crise política das esquerdas, o elevado grau de dogmatismo, autoritarismo, simplismo e incoerência que acomete essas correntes. Afinal, não são os autores dessa estirpe que falam da necessidade de "colar" a reflexão teórica à prática? 

domingo, 16 de setembro de 2012

Geografia física não prova que o capitalismo é antiecológico coisa nenhuma!

Algumas pessoas ficaram irritadas quando eu comparei os autodenominados "intelectuais militantes" com os criacionistas (aqui). Mas é só ler os textos e posts publicados neste blog para encontrar inúmeras demonstrações de como os pesquisadores e professores selecionam bibliografias e informações com o fim deliberado de comprovar que as teorias e ideologias anticapitalistas estão certas.

Ainda assim, se alguém achar que continua faltando provas disso, recomendo que leia o texto Geografia e dialética, de Raymond Guglielmo. Ele não é considerado um geógrafo crítico, pois pertencia à corrente denominada "geografia ativa". Mas, francamente, uma das poucas diferenças significativas que se vê entre as ideias expostas por ele e os pressupostos fundamentais da geocrítica é que ele ainda mantinha a visão clássica da geografia como ciência simultaneamente natural e humana, ao passo que os geocríticos afirmavam ser essa uma ciência social mesmo (Diniz Filho, 2003). Tirando isso, o uso que Guglielmo fazia do marxismo era em tudo compatível com o uso feito pelos geógrafos críticos. É o que se vê na sua presunção de que as teorias marxistas têm uma eficácia explicativa quase óbvia e na concepção maniqueísta de que qualquer negação dessa verdade só pode ser fruto de má-fé. Vejamos as palavras dele:

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ou os europeus são burros, ou a produção agrícola familiar pode ser dispensável

Uma coisa intrigante quando lemos os estudos que tratam da agricultura como atividade econômica é que muitos autores afirmam categoricamente que o agricultor familiar é mais produtivo do que o patronal. Asseguram que os pequenos proprietários fazem uso mais eficiente dos recursos, sobretudo da mão de obra, e que produzem mais por unidade de área. E, ainda assim, esses mesmos autores clamam por ajuda para os pequenos produtores, exigindo que o Estado lhes dê assistência técnica, financiamento a juros baixos, mercado cativo (como o de produtos para merenda escolar), subsídios de preço, barreiras à importação de alimentos, e por aí vai. Mas não é estranho que o setor mais eficiente e produtivo precise tanto que o Estado lhe conceda benefícios de toda ordem, mesmo que a fundo perdido, para não desaparecer?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Relendo "Primeira Leitura" e a história das Cruzadas

No post anterior, citei uma entrevista antiga de José Arthur Giannotti à revista Primeira Leitura, uma publicação cujos temas centrais eram política, economia e pensamento. Foi uma grande pena o fechamento dessa publicação, já faz alguns anos. Quando terminei de escrever aquele post, me pus a folhear a revista e fiquei com saudades. Estava lá um excelente artigo do filósofo Roberto Romano sobre os conceitos de golpe de Estado e razão de Estado, além de vários textos muito bem escritos e fundamentados sobre política brasileira e internacional, economia, geopolítica, história e cultura, entre outros assuntos.

Assim, me veio a vontade de falar agora de um artigo em que o jornalista Hugo Estenssoro (2005) comenta as pesquisas históricas que, nos últimos anos, puseram abaixo as interpretações ensinadas em nossas escolas a respeito das Cruzadas. Ele começa ridicularizando o filme Cruzada, de Ridley Scott, o qual procuraria defender a tese de que os muçulmanos da época, liderados por Saladino, criaram uma civilização multicultural na região da Palestina que acabou sendo abortada pelo "extremismo cristão". 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Corrupção: sistema político se protege quando não investiga e também quando pune

Como eu tenho dito, não trato de corrupção fazendo pose de moralista, pois procuro pensar esse problema de forma analítica. Faço isso por entender que somente o aprimoramento das instituições pode efetivamente coibir a corrupção, posto que exortações morais não podem dar consciência a políticos capazes de armar falcatruas gigantescas, como se viu no caso do mensalão. A utilidade dessas exortações é motivar as pessoas a irem para a rua protestar contra a impunidade, conforme já aconteceu várias vezes nos últimos anos, e aí reside a sua importância positiva. Mas o papel de um acadêmico não é "pôr a massa na rua", tal como pensam os "intelectuais engajados", e sim analisar os problemas políticos. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Até Fani entreviu o que Ruy Moreira não enxergou

Em um texto que fazia o balanço de dez anos do advento da geografia crítica ou radical, Ruy Moreira (um dos muitos geógrafos marxistas que hoje renegam esse rótulo, mas sem abandonar o anticapitalismo velho de guerra) faz uma avaliação muito interessante sobre os limites dessa renovação científica:
[...] o conceito de espaço não evolui acompanhado da criação de uma linguagem de representação espacial renovada e o olhar cartográfico fica fora da renovação geográfica. E isso é o que fica evidente agora na ida ao campo.
O que é paradoxal, porquanto um rico e forte momento de reflexão sobre o conceito de espaço, que busca justamente precisá-lo de um modo teórico-metodológico claro e operacional [...] está em curso na renovação, clamando pela sua conversão em linguagem concreta de representação cartográfica. Uma conversão que não houve (Moreira, 2000, p. 43).

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Festejar condenações é cair em armadilha

Já encontrei muitos comentários em sites de notícia manifestando alegria e surpresa com as condenações de alguns réus no caso do mensalão, especialmente Marcos Valério e João Paulo Cunha. Mas, com base no que escrevi em post anterior (aqui), não vejo motivo para acreditar que tenhamos avançado institucionalmente ou mesmo na capacidade de punir corruptos. Mais ainda, avalio que comemorar essas condenações implica cair na armadilha montada por cientistas politiqueiros como Fernando Abrucio, para quem o simples fato de o STF condenar alguns dos 37 réus (algo que já era mais do que previsível que iria acontecer) seria indicativo de "amadurecimento da democracia".

terça-feira, 28 de agosto de 2012

"Liberdade de Ensinar e de Aprender"

O jornal Gazeta do Povo tem dado espaço para a discussão de um sério problema nacional, que é a ideologização e politização do ensino. No último domingo, publicou um artigo de Miguel Nagib, coordenador do site Escola Sem Partido, que refuta juridicamente o principal argumento usado por professores que fazem propaganda política e eleitoral em sala de aula: o de que essa prática seria apenas o exercício da liberdade de ensinar. A resposta de Nagib, no artigo Liberdade de ensinar e de aprender, é a seguinte:



Quando a Gazeta do Povo publicou, em 18 de junho, artigo de minha autoria denunciando a propaganda eleitoral petista em sala de aula, eu tinha certeza de que alguém ainda defenderia essa prática em nome da “liberdade de ensinar” do professor, garantida pelo artigo 206 da Constituição Federal. Não deu outra: no dia seguinte estava lá, na coluna do leitor, a lembrança da mencionada garantia constitucional.
Ocorre que, ao lado da liberdade de ensinar, o art. 206 da CF também assegura a liberdade de aprender, e é evidente que a doutrinação ideológica e a propaganda eleitoral em sala de aula constituem uma forma de cerceamento dessa liberdade fundamental dos estudantes. Juridicamente, é nisso que consiste a doutrinação ideológica e a propaganda política em sala de aula: um abuso da liberdade de ensinar em detrimento da liberdade de aprender.
Recomendo fortemente a leitura desse artigo, que prossegue apresentando a proposta de afixar cartazes com os Deveres do Professor nas salas de aula.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Problema técnico com os comentários


Um leitor me avisou que os comentários que ele faz aos posts não estão sendo publicados. Só pode ser falha técnica do Blogger, pois, até hoje, eu só deixei de publicar um único comentário, e isso porque o autor - Anônimo, como não podia deixar de ser - me xingou no texto. Não tenho ideia de qual seja o problema. Sendo assim, deixo avisado que, se mais alguém mandar comentário e ele não for publicado, é só problema técnico mesmo. 

Um jeito de contornar o problema, embora longe do ideal, é me mandar e-mail com o texto do comentário, pois assim eu mesmo posso publicá-lo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Brasil ainda é República de Banana, mas Fernando Abrucio prefere chamar retrocesso de avanço

O julgamento do mensalão se encaminha para o final cumprindo o roteiro que qualquer pessoa de bom senso já imaginava: uns poucos peixes pequenos serão condenados a penas bem leves, enquanto dezenas ficarão livres de qualquer punição. Mas eu não vou fazer o discurso da indignação, pois não quero ficar posando de moralista aqui e menos ainda gastar tempo para dizer o óbvio. Vou me concentrar apenas na questão da institucionalidade, que é essencial para a preservação do regime democrático, conquistado no Brasil a duras penas.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ainda sobre industrialização e exportação de commodities

Respondi a um comentário sobre o post Exportar commodities é bom negócio. E viva a privatização da Vale!, que merece ser destacado em um novo post. O comentário é muito interessante, pois foge desses lugares comuns nacionalistas e estatistas que povoam as ciências sociais e a política brasileira. Discordo das ideias expressas no comentário pelas razões que apresento abaixo, mas é certo que se trata de um comentário que reflete sobre a questão das políticas industriais de maneira ponderada e sem preconceitos ideológicos. Vamos a ele, então.

domingo, 19 de agosto de 2012

Febeapá da Dilma mostra que Lula estava meio certo

Lula vivia a repetir que ter diploma universitário não era requisito para ser um bom presidente da República. Mas qualquer pessoa de bom senso sabe que é, sim, do mesmo modo como acontece com todas as funções que exijam alguma competência em lidar com números, expressar-se com clareza e resolver problemas práticos. E as gestões dele confirmaram que sua competência estava apenas em fazer aquilo que qualquer populista faz, com ou sem diploma: falar besteiras, esbanjar demagogia, fingir que cumpre promessas, aplicar a lei de forma casuísta, atacar a imprensa independente, atribuir-se méritos e feitos que não são seus, difamar os inimigos, perdoar aliados pegos com a boca na botija, desconversar sobre o enriquecimento de seus parentes diretos e distribuir cargos públicos na base do mais primitivo “é dando que se recebe”.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Editorial da Gazeta alerta: "Por um Enem sem ideologia"

O jornal Gazeta do Povo publicou estes dias um excelente editorial contra a ideologização do Enem. O questionamento se concentrou na prova de redação, que é particularmente importante para os alunos. O fulcro do problema está na possibilidade de um aluno zerar nessa prova se emitir opiniões que se contraponham aos "direitos humanos", mas num contexto em que o próprio governo já definiu, com base em ideologias políticas, o que entende por "direitos humanos". 

O texto completo pode ser lido aqui. Abaixo, destaco um parágrafo que sintetiza a crítica do jornal:


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Exportar commodities é bom negócio. E viva a privatização da Vale!

Um leitor fez um comentário crítico ao post Aziz Ab'Saber defende ideia medieval, conforme citado logo abaixo. Achei que a resposta ao comentário merecia um post, pois as ideias ali expostas são bastante representativas do nacionalismo que impera na geografia e nas ciências sociais brasileiras.
Você retirou um trecho minúsculo de uma entrevista que aborda vários tópicos - afinal é uma entrevista não um artigo - e faz muitas extrapolações sem justifica-las. Em nenhum momento Ab`Saber defende a teoria do preço justo no texto, você que afirma isto. Ele usa um exemplo menor para exemplificar um problema mais amplo: o Brasil ao assumir o papel de exportador de matérias primas se coloca numa posição subordinada no cenário global. Os minérios - recursos não-renováveis - são enviados para o exterior onde são usados em atividades que demandam alta tecnologia. Países como os EUA possuem grandes reservas de recursos naturais não-renováveis mas adotam posturas muito distintas. Preferem não explora-las em rítimos significativos, optando por importá-las mesmo quando ostentam grandes reservas internas. Eles raciocinam que o valor estratégico destes recursos é alto em cenários de escassez potencial no futuro. É este o potencial econômico que esta sendo perdido, que afinal foi a pergunta do entrevistador.
 Vou responder de forma esquemática para não demorar muito:

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Universidades federais nunca serão centros de excelência

Conforme noticiado recentemente, a lei que obriga as universidades federais a reservar 50% de suas vagas para estudantes pretos, pardos e provenientes de escolas públicas não vai valer para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA, e para o Instituto Militar de Engenharia - IME. A desculpa usada para deixá-los de fora da demagogia das cotas foi determinar que a lei só vai valer para as instituições administrativamente vinculadas ao Ministério da Educação e Cultura - MEC, não para esses institutos subordinados à Aeronáutica e ao Exército, respectivamente. Qual seria a razão disso? Então o governo acha que as políticas justificadas com o argumento da "inclusão social" não devem valer justamente para a formação de engenheiros nas melhores instituições de ensino tecnológico do país?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Filmes exibidos na escola dizem muito sobre o ensino e o país

Fiz todo o ensino fundamental num colégio religioso de tipo tradicional. Daí que as aulas de religião consistiam basicamente da leitura e discussão de passagens da bíblia. Já no primeiro ano do ensino médio, as aulas de religião eram optativas, por se tratar de uma escola estatal. Mas a primeira aula de religião era obrigatória, pois os alunos tinham de saber como seria a disciplina para escolher se iriam continuar ou não. E o que foi que o professor de religião nos mostrou nessa aula? Um documentário sobre as greves no ABC paulista, que desafiavam a ditadura!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mino Carta é o Sarney do jornalismo

No post A culpa da nossa direita, eu citei José Sarney como exemplo de político que só pode ser considerado "de direita" e "conservador" num país como o Brasil, onde o liberalismo nunca teve muita vez. Afinal de contas, como é que um político pode receber qualquer qualificativo ideológico que seja se, em mais de quarenta anos de vida pública, esteve sempre do lado do governo, fosse qual fosse, e sempre a entupir a máquina estatal com parentes seus e aliados políticos indicados para cargos de confiança? 

Todavia, esse preâmbulo é só para dizer que eu sei, nem faz tanto tempo, que também no jornalismo é possível encontrar gente que só parece ter coerência ideológica para quem não conhece toda a sua trajetória. É o caso de Mino Carta. Em meados da década de 1980, eu fui assinante da Revista IstoÉ/Senhor por três anos. Deixei de ser por avaliar que a revista apoiava o então governador de São Paulo, Orestes Quércia, sem o devido compromisso com a objetividade. Todas as matérias eram elogiosas além da conta, e as mil denúncias que pipocavam contra o governo paulista tinham pouco destaque ou eram descartadas com artigos nos quais as evidências contra as denúncias podiam ser apenas declarações do eventual acusado, tomadas como verdadeiras mesmo sem qualquer apuração jornalística. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Fani e França Filho provam que a geografia ainda vive em 1980

Já escrevi um texto para rebater as críticas de Ana Fani A. Carlos ao meu ensaio Certa má herança marxista (Diniz Filho, 2002), como se pode ler aqui. Mostro no trabalho que, além de cometer erros grosseiros de interpretação do que escrevi, a autora tergiversa sobre a crise do marxismo, faz ataques ao sistema capitalista em desacordo com a realidade empírica e ainda deixa de lado a inexistência de propostas consistentes e radicais de construção do socialismo. Pois eu li um artigo de Astrogildo L. França Filho (2009) que também erra na interpretação do que escrevi naquele ensaio, também ignora a necessidade de debater a crise do marxismo e, por tudo isso, parece ter sido publicado no começo dos anos 1980.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Brasil rural ensinado nas escolas não existe

Saiu ontem no jornal Gazeta do Povo um pequeno artigo de minha autoria que trata da relação entre o debate público sobre a política nacional de reforma agrária e os conteúdos equivocados que se ensinam nas escolas. Abaixo, reproduzo o começo do artigo. Para ler na íntegra, é só clicar no link acima indicado. Uma outra versão desse mesmo texto, só que um pouco mais completa, pode ser lida aqui.
Xico Graziano, em seu livro O carma da terra no Brasil, qualifica a política nacional de reforma agrária como um "fracasso retumbante". Isso ocorre, de um lado, porque o Brasil do latifúndio deixou de existir faz uns 50 anos, devido à modernização das grandes propriedades. De outro lado, os assentamentos de reforma agrária exibem produtividade baixíssima e não geram renda suficiente nem para tirar os assentados da pobreza.
Textos relacionados

domingo, 29 de julho de 2012

Flagrante de aparelhamento sindical e peleguismo nas universidades federais

O blog Acerto de Contas acaba de publicar cópia de um e-mail redigido por militante do PCdoB quando articulava a instituição de um sindicato pelego para professores das universidades federais. O e-mail "mostra a participação dos ex-presidentes da Adufepe, Jayme Mendonça e Audisio Costa, na formação do aparelho paralelo que o Governo está tentando montar na estrutura sindical das universidades". A expectativa manifesta no e-mail é que esses dois professores conduzam a Adufepe a “desembarcar” na Federação Nacional dos Professores Federais (ou algum outro nome que essa entidade venha a ter). Se conseguirem isso, terão direito a um cargo...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Nossos economistas regionais também não veem a real importância do território

Se os geocríticos deixam de enxergar a importância verdadeira do território por se preocuparem em fazer do estudo do espaço uma arma de luta contra o capitalismo, como visto no post anterior, os economistas regionais brasileiros usam as teorias da geografia econômica apenas para fazerem discurso ideológico antiliberal e, desse modo, venderem seus serviços como consultores de órgãos de planejamento estatal.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Importância real do território é ignorada pela geocrítica

Os geógrafos críticos ou radicais sempre tiveram a pretensão de explicar a sociedade pelo estudo do espaço. O problema é que, na ótica da teoria social crítica, "explicar" a sociedade capitalista significa revelar as contradições que a estruturariam e que engendrariam os processos de luta política e de transformação socioeconômica. Nesse sentido, os geocríticos se veem forçados a apelar para um "malabarismo retórico" pseudo-dialético no intuito de provar que esse tipo de explicação não incorre em fetichismo ou determinismo espacial. E a mais explícita e mal fadada tentativa de realizar esse intento foi feita por Milton Santos ao elaborar uma "teoria do Brasil" pelo estudo do "território usado", conforme já comentei em outros posts. 

Agora, vou realçar que esse tipo de teorização acaba subordinando a pesquisa à ideologia e, ironicamente, faz os pesquisadores deixarem de lado justamente a importância que o território efetivamente tem para explicar certos processos sociais. Para tanto, basta reproduzir uma nota de rodapé da minha tese de doutorado, conforme segue:

sábado, 21 de julho de 2012

Jorge Amado foi jornalista mercenário do nazismo

De Jorge Amado, já li Capitães de Areia e São Jorge dos Ilhéus. Honestamente, nunca entendi a razão de esse autor ter feito tanto nome na literatura. Compreendo que ele fosse bom vendedor de livros, pois escrevia de modo convencional e punha boas doses de sensualidade e de cor regional em seus romances, o que cai bem no gosto popular. Mas, francamente, esses dois livros que li tinham todas as características que uma obra literária mais ambiciosa jamais deveria ter: mensagem óbvia, panfletarismo político, maniqueísmo, via única de interpretação do contexto histórico e das ações dos personagens, didatismo, personagens com psicologia rasa e construída para reforçar a mensagem, metáforas óbvias e até bregas, e por aí vai.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Comentários de uma leitora ilustram a fragilidade da "pedagogia progressista"

Uma leitora fez comentários ao post A “outra universidade” de Pedro Demo é ouro dos tolos que ilustram muito bem a fragilidade das ideias próprias dessa pedagogia progressista que encanta os educadores brasileiros. Por conta disso, resolvi escrever este post para responder aos questionamentos dela (em negrito), conforme segue: 

Caro Luis, você diz que o texto não apresenta propostas efetivas para a solução do problema levantado. Tenho para mim que a apresentação do diagnóstico e a reflexão sobre as motivações e circunstâncias nele encontradas já são bastante útil na construção “coletiva” de soluções – pois essas seriam contextuais, particulares, de acordo com cada caso. Você acredita na possibilidade de um estudioso propor uma “receita”, acredita que uma proposta com esse caráter seria eficaz de alguma forma? Aguardo suas considerações.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Literatura e ciência nas férias. Ou: Calvino e o conhecimento sintético

Transcrevi num outro post (aqui) uma passagem do livro As cidades invisíveis, de Italo Calvino, na qual se lê uma bela metáfora sobre os limites da formalização matemática na teorização do espaço urbano e, de forma mais ampla, nas ciências sociais. Agora, resolvi tirar um tempinho das minhas férias para mostrar como essa história se desdobra no livro. 

sábado, 7 de julho de 2012

Caio Prado Júnior já havia cometido o erro de Milton Santos

Expliquei num post anterior que Milton Santos fracassou no esforço de elaborar uma teoria do Brasil, entre outros motivos, porque sua análise da história territorial brasileira não é capaz de mostrar em que esse país seria distinto dos outros a ponto de demandar uma teoria específica para explicá-lo. Para dar base à minha crítica, citei Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda como exemplos de autores que, ao tomarem o Brasil como objeto de teorização, teriam procurado mostrar que havia uma originalidade brasileira dada pela miscigenação, segundo Freyre, e pelas mudanças sócio-culturais trazidas pela urbanização pós-1880, segundo Holanda.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lula e Maluf ilustram como é patética a unidade entre teoria e práxis

Ao ler as notícias sobre o recente pacto firmado entre Lula e Maluf para as eleições municipais na capital de São Paulo, veio-me à lembrança, pela milésima vez, o que os meus amigos petistas lá de Sampa conversavam comigo na época em que eu morava lá. Para eles, o PT não só era o único partido de verdade existente no Brasil, já que o único a pautar-se realmente por uma ideologia, como era também o "partido da ética"... E  essa soma de coerência de ideias, projeto social transformador e ainda retidão moral se refletia na recusa do PT em fazer alianças com políticos "de direita", "reacionários", "fisiológicos", e assim por diante. Durante oito anos, FHC foi crucificado por esses geógrafos petistas que, repetindo a discurseira dos políticos do PT, acusavam-no de ter feito uma "aliança fisiológica" com partidos desse naipe. Por sua vez, Maluf era retratado por eles como a quintessência de tudo o que há de nefasto na política nacional.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Rio+20 foi um fracasso. Ainda bem?

Está claro que a Rio+20 fracassou. Digo isso não tanto pelas manifestações de decepção com a falta de "ousadia" das propostas, as quais foram dos "ongueiros" de sempre, passando pelo secretário-geral da ONU até chegar à Angela Merkel. Afinal, esse tipo de reação decepcionada já era muito mais do que previsível. O que atesta o fracasso do evento é o fato de que o próprio governo brasileiro afirmou que ele foi bem-sucedido porque, ao invés de um esperado retrocesso, mantiveram-se as conquistas da Rio 92.

Francamente! Pouco antes do evento, alardeava-se por aí que esta seria a grande oportunidade para "salvar o mundo", "decidir nosso futuro" e assim por diante. Mas, como não se decidiu nada de muito concreto, começaram a dizer que ficar como estava antes já foi sucesso. Nada atesta melhor o fracasso do que isso.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O apocalipse segundo João Manuel não aconteceu, mas a claque continua fiel

No post anterior, comentei que a mistura de política com pesquisa acadêmica atingiu um nível tal que Aloizio Mercadante virou doutor ao transformar em tese um livro de propaganda política que ele havia escrito para defender o governo do seu partido. Para dar brilho à defesa dessa tese, cuja surpreendente conclusão é a de que o governo Lula constitui uma novidade histórica altamente positiva, foram convidados para a banca alguns grandes nomes da ciência econômica brasileira, dentre os quais estava João Manuel Cardoso de Mello, imperador do IE-Unicamp. 

domingo, 24 de junho de 2012

Aloizio Mercadante confirma o achado de Roberto Romano

Certa vez, o filósofo Roberto Romano disse algo que sintetiza muito bem a situação da academia brasileira nestes tempos em que o pensamento supostamente crítico é hegemônico. Vou citar de memória: do modo como está indo, defesa de tese vai ser feita em praça pública, a aprovação do candidato vai depender dos aplausos da plateia e o título não vai ser de doutor, mas de companheiro. É triste dizer, mas o Instituto de Economia da Unicamp, principal centro de pensamento econômico de esquerda no Brasil, parece ter comprovado que já chegamos praticamente nessa situação. É só ler a matéria da Época sobre como o atual ministro da educação, Aloizio Mercante, tirou o seu título de companheiro, digo, de doutor. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Gazeta do Povo tratou da propaganda eleitoral em sala de aula

Recomendo fortemente a leitura do artigo que o advogado Miguel Nagib, coordenador do site Escola Sem Partido, publicou no jornal Gazeta do Povo. O artigo começa assim: "Quando o ex-presidente Lula compareceu ao programa do Ratinho para promover a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, os demais candidatos protestaram contra a violação escancarada ao calendário eleitoral. E com razão. Mas o fato é que episódios como esse são apenas a parte visível do imenso iceberg da propaganda eleitoral ilícita realizada pelo PT. O grosso dessa propaganda não aparece na tevê e não é captado pelo radar da Justiça Eleitoral".

Ele se refere, é claro, ao trabalho de propaganda feito pelos professores em sala de aula. Um problema que vem de longe, por sinal. No começo dos anos 1980, eu tive uma professora de geografia que mandava fazer debates em sala de aula, inclusive sobre temas eleitorais, e dizia claramente: "se depender da minha opinião, votem no PT". E nós, os alunos, ainda nem tínhamos idade para votar... 

Para ler o artigo completo na Gazeta do Povo, é só clicar aqui. Abaixo, cito uma passagem do texto que é primorosa:
[...] a doutrinação ideológica, como o vampirismo, se propaga por contágio: a vítima se transforma em agente-transmissor das mensagens que lhe foram inculcadas.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Inventores da "pegada ecológica" seguem o rastro de Celso Furtado até nas bobagens

Conforme eu já comentei no post A China responde a Celso Furtado, esse economista afirmava, nos anos 1970, com base nas conclusões do estudo Os limites do crescimento, que era ecologicamente impossível levar à toda população do planeta o padrão de vida dos países ocidentais. A escassez de recursos e os impactos ambientais gerados nesse processo forçariam os países em subdesenvolvimento a optar entre um alto padrão de consumo, mas restrito a pequenas parcelas de suas populações, ou um padrão de vida digno para todos os seus habitantes, só que mais modesto do que o vigente nos países desenvolvidos.

domingo, 17 de junho de 2012

Rio + 20 devia reconhecer que aquecimento global acabou, mas isso não seria bom negócio

James Lovelock
O jornalista Guilherme Fiuza acaba de publicar o texto Rio + 20 = 0 (Época, n. 735, 18 jun. 2012), em que  lança petardos poderosos contra os "ecoburocratas" que ganham dinheiro proclamando o fim do mundo. Não vou resenhar o texto, e sim destacar uma passagem que merece complemento de especialistas, qual seja:
A Convenção do Clima [assinada durante a Rio 92] gerou o que se sabe: uma sucessão de protocolos sobre redução das emissões de gás carbônico. Cada um é mais severo que o anterior, devidamente descumprido. Com novos prazos de carência, as metas vão ficando mais ambiciosas, numa espécie de pacto com o nunca.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Milton Santos fracassou em elaborar uma "teoria do Brasil"

Com aquela pretensão que lhe era peculiar, Milton Santos escreveu que o livro Brasil: território e sociedade no início do século XXI tinha o objetivo de "fazer falar a nação pelo território", ou seja, construir uma teoria do Brasil pelo estudo do território usado (Santos; Silveira, 2003). Isso o colocaria no mesmo patamar dos grandes clássicos das ciências sociais brasileiras que tomaram o Brasil como objeto para a elaboração de teorias, caso de Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior, entre outros. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Estudantes miram o Brasil e não acertam nem na sala ao lado

Não quero dar a impressão de que me oponho à atual gestão do Cageo ou que desvalorizo o trabalho que está sendo feito por essa entidade. Acho elogiável que haja alunos dispostos a trabalhar de graça para fazer as coisas acontecerem na universidade, seja promovendo atividades acadêmicas, como palestras e mesas-redondas, debatendo questões profissionais ou representando os estudantes na discussão de temas que são de seu interesse, como reformas curriculares. Eu mesmo participei do centro acadêmico, eras geológicas atrás, mas acabei desanimando, por motivos que já comentei neste blog. 

domingo, 10 de junho de 2012

Sistema COC de ensino e liberdade de expressão

O Supremo Tribunal Federal - STF, está para tomar uma decisão de grande importância, pois diz respeito tanto ao combate contra a doutrinação no ensino como à liberdade de expressão. O fato é que o Sistema COC de ensino, um dos maiores do país, moveu uma ação por danos morais contra a jornalista Míriam Macedo, a qual publicou um artigo com críticas ao conteúdo doutrinador de uma apostila dessa empresa que era usada na escola onde sua filha estudava. Foi também processado o senhor Miguel Nagib, Coordenador do site Escola Sem Partido, pela divulgação do texto na internet. Como desdobramento desse caso, está para ser julgado um recurso que vai decidir uma questão fundamental para blogueiros e jornalistas, a saber: qual o foro competente para o julgamento de uma ação de reparação de danos alegadamente causados pelo exercício da liberdade de informação jornalística?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Adesão dos alunos de Geografia Econômica à greve foi de uns 75%

Comentei num post anterior que não estou em greve e que iria aplicar prova na segunda e na quarta passadas. Ao todo, fizeram prova 24 alunos na segunda à noite e 5 na quarta de manhã, sendo que, destes últimos, 2 eram alunos do noturno que não haviam podido comparecer na segunda. Portanto, a adesão dos alunos da noite à greve foi de uns 50%, enquanto os alunos da manhã aderiram quase totalmente.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os intelectuais existem para complicar, mas Haesbaert acha o contrário

Diogo Mainardi escreveu certa vez que o intelectual existe para complicar, mas os intelectuais brasileiros simplificam. Ele tinha toda razão. Ao invés de participarem dos debates públicos visando contribuir com conhecimentos detalhados e tão objetivos quanto possível sobre os assuntos em pauta, de modo a corrigir as simplificações produzidas pelo senso comum e pela retórica dos militantes, nossos intelectuais se querem também militantes. Não se incomodam, pois, de construir visões da realidade baseadas em retórica simplificadora, contraditória ou até mentirosa mesmo, conforme já procurei demonstrar neste blog ao criticar autores como Lopes de Souza, Conceição Tavares, Milton Santos, Belluzzo, e vários outros.

domingo, 3 de junho de 2012

Salário dos professores é menor do que no tempo de FHC. Mas vou aplicar prova na segunda

Antes de o PT chegar ao poder, as universidades federais faziam, em média, uma greve a cada dois anos e meio. Assim me contou um professor que está entre os mais antigos no meu departamento. Em dez anos de governo petista, tivemos muito menos greves, e bem menos mobilizadas. É que o PT paga melhor? De jeito nenhum!  O economista Pierre Lucena deflacionou os valores do salário de um professor doutor da classe adjunto nível 1 e descobriu que, em 2012, essa categoria ganha 8,2% menos do que ganhava em 1998! O governo FHC pagava mais e o PT ainda implementou uma reforma da previdência que dá continuidade àquela realizada pelos tucanos, conforme já comentei em outro post. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Estudiosos da infância parece que também não estão nem aí para o trabalho infantil na agricultura "camponesa"

No post anterior eu comentei que, embora haja 909 mil menores de quatorze anos trabalhando na agricultura familiar, conforme dados oficiais, os políticos, a imprensa e os pesquisadores do agro silenciam covardemente sobre o assunto, muitíssimo ao contrário do que fariam se o problema existisse no agronegócio. E, ao que parece, os cientistas sociais que se dedicam a estudar a infância e juventude à luz dos valores da democracia, dos direitos humanos e da cidadania também preferem ignorar o tema. Pelo menos é isso o que sugere a programação do evento Perspectivas epistemológicas y metodológicas de la investigación en infancias y juventudes en América Latina, cuja programação completa está aqui.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Trabalho infantil na agricultura familiar não dá manchete

O que aconteceria se uma pesquisa oficial mostrasse que centenas de milhares de crianças trabalham em grandes empresas agropecuárias? O mundo viria abaixo! Os grandes jornais fariam disso matérias de primeira página, os "movimentos sociais" repercutiriam a notícia incansavelmente, propriedades seriam invadidas com o pretexto de que têm ou poderiam ter menores trabalhando ali e, por fim, seria  proposto um projeto de emenda constitucional - PEC, determinando a desapropriação das terras onde fossem encontradas crianças nessa situação. 

sábado, 26 de maio de 2012

Truque dos pedagogos é falar do mercado como se fosse algo externo à sociedade

Já comentei que a "outra universidade" proposta por Pedro Demo não passa de ouro dos tolos, uma vez que ele usa vários truques retóricos para associar imagens negativas ao dito "instrucionismo" e enfeitar suas sugestões vagas e superficiais com adjetivos bonitos (ver aqui). Para não me alongar muito, deixei para outra hora a crítica da visão que ele tem das relações entre mercado e sociedade. Pois a hora de fazer essa crítica chegou.

Pedro Demo, assim como a maioria dos pedagogos e professores brasileiros, pensa no mercado como se ele fosse um ente que existe separado da sociedade e que deve ser subordinado aos interesses sociais pelo Estado. Por isso, ele inicia o texto Outra universidade dizendo isto:

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Esquerdismo dos professores faz a universidade ir do patético ao vergonhoso

Sim, é patético e vergonhoso observar as consequências contraditórias das simpatias ideológicas e partidárias que predominam entre os professores universitários brasileiros - e quem manda nas universidades estatais são os professores. É patético, por exemplo, quando vemos os professores manifestarem desconfianças e suspeitas contra os cursos de especialização só por eles serem pagos e não verem tanta coisa suspeita que pode ocorrer na administração de recursos públicos. É vergonhoso quando a universidade se submete aos interesses de um partido ou mesmo de um único político, como se viu em 2010, pelo manifesto de reitores em favor da candidatura Dilma Rousseff, e na avacalhação do título de doutor honoris causa, transformado em mera peça de propaganda lulista.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Doutrinação: o que já era ruim ficou pior

Já comentei em outros posts que uma das razões para o forte predomínio de teorias críticas completamente ultrapassadas na geografia contemporânea é a doutrinação no ensino. Quando eu era aluno do ensino médio, na primeira metade dos anos 1980, isso já acontecia. Tudo o que as professoras de história e de geografia me ensinaram nessa fase foi puro marxismo. Aprendi o básico sobre a teoria marxista do valor trabalho lendo o livro História da riqueza do homem, de Leo Huberman (1981), e alguns volumes da Coleção "Primeiros Passos". Por sua vez, a teoria do valor utilidade não era nem sequer mencionada! 

domingo, 20 de maio de 2012

Conferindo o texto "O mensalão da imprensa"

Os professores universitários brasileiros concordam com tudo o que o PT faz, mesmo que isso implique discordar deles mesmos. Por isso, eles gostam de ler jornais, revistas e sites escancaradamente pró-PT (mesmo quando esses veículos não eram filopetistas no passado). Um exemplo disso é a revista Carta Capital. Sua tiragem é hoje bem pequena, mas os professores, que têm certo papel como formadores de opinião, gostam de ler aquilo, conforme já constatei em conversas com vários deles. 

Ora, aconteceu uns tempos atrás de eu tomar um chá de cadeira numa sala de espera de consultório onde havia uns números da Carta Capital. Por falta de opção, li algumas matérias que me fizeram lembrar de um artigo de Diogo Mainardi. Vejamos só os primeiros parágrafos:

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Alberto Carlos Almeida trocou seu próprio livro por falso confronto regionalista

O cientista político Alberto Carlos Almeida já publicou um livro muito bom, intitulado A cabeça do brasileiro (Record, 2007), que mostra os resultados da Pesquisa Social Brasileira – PESB. Essa pesquisa se baseou na aplicação de um questionário junto a uma amostra de 2.363 pessoas para fazer um teste quantitativo das teorias do antropólogo Roberto DaMatta a respeito da mentalidade do brasileiro. Daí que um dos méritos dessa pesquisa é que, ao invés de deduzir como as pessoas pensam partindo de um raciocínio econômico ou geográfico eivado de ideologia – coisa que Milton Santos vivia fazendo, como já comentei aqui –, foi-se a campo para averiguar diretamente com as pessoas o seu modo de pensar. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

O PT é podre por inteiro!

O objetivo precípuo deste blog é jogar tomates em diversas formas de pensamento esquerdista que dominam o sistema de ensino, a geografia e os debates públicos no Brasil contemporâneo. E, como não gosto de ficar repetindo o que já sai publicado em outros blogs e sites, costumo escrever textos de uma a duas páginas com reflexões sobre assuntos mais gerais dentro desse campo temático, tais como epistemologia da geografia, doutrinação no sistema de ensino, reforma agrária, e vários outros. Só que isso toma um certo tempo, motivo pelo qual publico a cada três dias, mais ou menos. O resultado é que, muitas vezes, tenho vontade de opinar sobre algum fato do momento, mas, como gasto vários dias para postar dois ou três textos sobre temas que já estão na fila, o momento acaba passando sem que eu tenha me manifestado a respeito. Em vista disso, resolvi alternar os textos de uma a duas páginas sobre discussões mais gerais com textos breves sobre acontecimentos em curso. 

domingo, 13 de maio de 2012

Demétrio Magnoli acertou em cheio na crítica ao julgamento do STF

Escrevi estes dias um post sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal - STF considerar constitucionais os programas de reservas de vagas para candidatos negros (pretos e/ou pardos) nas universidades. Meu argumento era que, à luz do princípio da igualdade jurídica entre os indivíduos, que é essencial para a existência de um regime democrático, esse tipo de política discriminatória é tão condenável quanto as leis de segregação racial. E, para não pensarem que eu sou um formalista inflexível, que deseja impor princípios gerais mesmo quando a prática concreta mostra que as consequências disso são negativas, alertei que as experiências internacionais de aplicação de políticas de cotas demonstram sua ineficiência. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A inutilidade do conceito de "função social" da propriedade

O economista Maílson da Nóbrega já comentou em um artigo que, nas constituições dos países anglo-saxões, inexiste o conceito de função social da propriedade. Ao ler algo assim, a grande maioria dos brasileiros deve pensar: “isso é que é capitalismo selvagem!”. Afinal, a desconfiança em relação à economia de mercado e seus efeitos sociais e sociológicos é tão forte no Brasil que acabou sendo consagrada pela constituição de 1988, segundo a qual o direito de propriedade tem de ser relativizado pelo conceito de função social. 

Essa diferença entre os dois tipos de construções jurídicas tem raízes que remontam, pelo menos, ao século XVIII. Naquela época, já se delineava a visão liberal de que a economia de mercado oferece incentivos econômicos para que os indivíduos trabalhem, façam trocas, poupem e invistam, de sorte que a economia capitalista acaba sendo simultaneamente competitiva e cooperativa: para ganhar dinheiro, é preciso vender algo que seja necessário para os outros, de maneira que a concorrência entre empreendedores acaba sendo definida pelo objetivo de oferecer aos clientes a melhor relação custo/benefício possível. Se cada um fizer o que é bom para si mesmo, o coletivo sai ganhando. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dilma executa reformas de FHC e intelectuais críticos concordam com tudo, exceto com eles mesmos

Além de privatizar aeroportos, a presidente Dilma Rousseff acabou de implementar mais uma reforma tucana. Ela sancionou a lei que institui a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) para os servidores públicos da União. O objetivo é estabelecer uma isonomia entre os sistemas de aposentadoria dos servidores públicos e dos trabalhadores do setor privado, posto que os servidores que forem contratados a partir da entrada em vigor da nova lei não terão mais direito a uma aposentadoria com valor igual ao do último contracheque. A partir de agora, os novos servidores públicos federais terão garantido apenas o teto da previdência, que hoje está em R$ 3.916,20, e precisarão pagar contribuições ao Funpresp ou a algum plano de aposentadoria privado se quiserem um rendimento mais alto.

sábado, 5 de maio de 2012

A "outra universidade" de Pedro Demo é ouro dos tolos

Já li diversos textos em que são citados estudos de Pedro Demo, mas, até estes dias, nunca tinha me disposto a ler nada desse autor. O que me desanimava a ler sua obra era que, pelas citações, já ficava claro que ele se alinha com as ideias básicas dessa "pedagogia progressista" que anda por aí. Ainda assim, resolvi me dar ao trabalho de atravessar as 54 páginas do seu texto Outra universidade para ver se havia ali alguma coisa que valesse a pena ser lida. Uma ideia ou outra são interessantes, mas nada que não seja encontrado em outros trabalhos muito melhores. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

STF reformador e racialista está tão errado quanto Suprema Corte racista

A história mostra que, se existe uma ideia dificílima de ser aceita, em qualquer sociedade, é a da igualdade de todos perante a lei. Da Antiguidade até o século XVII, o poder político se legitimava pela tese, sistematizada primeiramente por Aristóteles, de que os homens são intrinsecamente desiguais. Fosse um déspota com poderes absolutos, uma aristocracia de proprietários de terras e/ou uma elite de burocratas que acumulavam privilégios, a legitimação do poder se dava sempre com base nessa visão de que a desigualdade entre os homens seria natural e, por isso mesmo, moral. Foi somente com o iluminismo que essa tese aristotélica começou a ser contestada radicalmente. Na concepção jusnaturalista de Hobbes, os indivíduos independentes uns dos outros é que constituem o estado natural, de sorte que o poder político tem de ser exercido com vistas a garantir o princípio da igualdade de todos perante a lei e a liberdade individual para estabelecer contratos.

domingo, 29 de abril de 2012

Literatura e ciência no meio do feriadão

Um escritor que aprecio bastante é Italo Calvino, do qual já li vários livros. É óbvio que não vou jogar tomates nele! Apenas me veio à lembrança uma passagem de seu livro As cidades invisíveis (Companhia das Letras, 1990) que eu pensei em usar como epígrafe da minha tese de doutorado. Mudei de ideia apenas por ter achado que essa passagem, embora bem curta para um conto, era longa demais para uma epígrafe.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Reflexões sobre a Suécia à luz das relações entre ética e capitalismo

O economista Albert Hirschman (1986) elaborou um estudo muito interessante sobre as diferentes concepções teóricas e ideológicas dos efeitos sociológicos do funcionamento do mercado. Uma ideia fundamental sobre esses efeitos é aquela que Hirschman denominou "tese do suave comércio", defendida por autores como Adam Smith e Montesquieu. Segundo essa tese, uma vez que a economia de mercado é individualista e contratualista, seu bom funcionamento depende da confiabilidade dos agentes econômicos. Mas o próprio mercado oferece incentivos para que os indivíduos sejam fidedignos, pois as oportunidades de negócios tendem a ficar cada vez mais restringidas para os desonestos, dando-se o inverso com os indivíduos e empresas que realmente cumprem os contratos. Nesse sentido, uma das grandes virtudes da economia de mercado é que ela produz os próprios valores morais que lhe servem de sustentação.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quilombolas de hoje são os novos zumbis

Os geógrafos Bertha Becker e Claudio Egler já escreveram trabalhos bem interessantes. Gosto sobretudo da tese de doutorado de Egler, que foi uma das referências fundamentais para a elaboração do meu próprio doutorado. Mas, ainda que esses autores nunca tenham se identificado com as bandeiras da geocrítica, é certo que, vez por outra, valem-se de teorias radicais que acabam conduzindo a conclusões que, como se diz, geram mais calor do que luz. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Desenvolvimento desigual e combinado, mas não como os marxistas pensam

Um dos procedimentos retóricos mais usados pelos autores anticapitalistas é sacar do bolso uma longa lista de mazelas econômicas, sociais, políticas e militares e qualificá-las todas como produtos do capitalismo, sem levar em conta as reinvenções desse sistema ao longo dos séculos e nem as diversas formas assumidas pelo capitalismo nos dias atuais. Em um ou dois parágrafos, o sujeito cita do genocídio de povos ameríndios, passando pelo regime do apartheid, até as taxas de desemprego vigentes em muitos países desenvolvidos e o aquecimento global. Assim, quem não concordar com eles tem que se dar ao trabalho de escrever muito mais para desmontar cada uma das sentenças que, com a maior ligeireza, atribuem relações de causa e efeito entre a "lógica do capitalismo" e tudo o que aconteceu de ruim no planeta nos últimos 500 anos. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

PT colhe as invasões que plantou com impunidade e regou com dinheiro público

O post anterior veio bem a calhar, já que publicado quase às vésperas da recente onda de invasões de prédios públicos por militantes do MST, em mais um "abril vermelho". Conforme demonstrado naquele post (ver aqui), a MP anti-invasão quebrou a espinha do MST em maio de 2000, fazendo despencar o número anual de invasões de terra. Quem deu sobrevida a essa prática de esbulho possessório (expressão jurídica que define a ação de tomar um imóvel por métodos violentos) foi o PT, que deixou de aplicar a lei. Depois de uma escalada de violência, veio um acomodamento dos interesses do partido e dessa organização, a partir de 2005.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

As muitas formas do capitalismo (concluindo minha resposta)

Concluo neste post a resposta que escrevi ao comentário enviado por Angelo Menegatti a este blog (ver aqui). Vou me concentrar na passagem em que ele afirma que ser velho é defender o capitalismo, já que as ideias que sustentam tal sistema "são as mesmas de 500 anos atrás".

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Concentração fundiária e violência no campo. Os fatos e a lógica

Os geógrafos rurais, reproduzindo os discursos dos movimentos de "luta pela terra", costumam afirmar que a concentração fundiária é a causa da violência no campo. Por conseguinte, inferem que as invasões de terra são inversamente proporcionais aos investimentos realizados no assentamento de famílias em projetos de reforma agrária. Para averiguar as conclusões a que essas ideias nos conduzem quando se observam as estatísticas de violência no campo, elaborei o gráfico abaixo. A fonte são os Relatórios da Ouvidoria Agrária, disponíveis no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Dois anônimos, um assumido, e o padrão esquerdista

Recebi outros três comentários que merecem um post. O primeiro, porque foge à regra, e os outros porque, bem ao contrário, estão perfeitamente de acordo com o padrão das intervenções de esquerdistas em sites de notícias e blogs. Comecemos pelo comentário, de um Anônimo, que foge ao padrão (ainda bem).

sábado, 31 de março de 2012

Enfim, alguém assume que faz militância ideológica quando representa estudantes e quando é professor

Um comentário bastante franco, crítico e até mal-educado ao post Grupo Geo Corp é boa iniciativa traz uma síntese tão concisa dos males da hegemonia de esquerda em nosso sistema de ensino que merece ser respondido com uma tomatada, ou melhor, com um post. Escrito por Angelo Menegatti, o comentário diz o seguinte:

quarta-feira, 28 de março de 2012

Aziz Ab'Saber, Millôr Fernandes e um urubu

Lamento muito a morte de Millôr Fernandes, humorista e escritor a quem eu admirava. Ele era inteligente e culto, sendo que eu trago diversas frases de sua autoria na memória, exemplos admiráveis do melhor mau humor. Vou citar agora apenas uma, que serviu de epígrafe para a minha dissertação de mestrado: "o Brasil é a prova de que geografia não é destino". 

domingo, 25 de março de 2012

Tese central de Santos, Harvey e Soja é só "malabarismo retórico"

Ao proferir uma fala sobre a geografia crítica, Paulo César da Costa Gomes fez uma afirmação de extrema importância. Ele disse que a definição de espaço como produto da sociedade encerra um problema epistemológico insolúvel, pois, se o objeto de pesquisa da geografia é apenas um reflexo, então qual seria a importância de estudá-lo? Em termos tanto científicos quanto sociais, o importante não seria estudar a sociedade que produz o espaço, ao invés de gastar energia tentando entender o reflexo que ela produz? 

Para contornar essa dificuldade, continuou ele, os geocríticos se veem forçados a realizar um enorme "malabarismo retórico" para justificar a ideia de que o espaço não é só reflexo, mas também uma instância "ativa". Ficam dando voltas e voltas para provar que o espaço é produto social e também produtor de relações sociais, mas que afirmar isso não significa cair num determinismo ou fetichismo espacial, pois o espaço não é algo externo à sociedade, mas uma instância da própria sociedade. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Grupo Geo Corp é boa iniciativa

Fiquei sabendo hoje, no intervalo da aula, que alguns alunos da UFPR montaram um grupo para divulgar informações úteis para a futura profissionalização dos estudantes de geografia. Como se lê na página do Blog Geo Corp, existem ali informações sobre estágios, concursos públicos, eventos científicos, oferta de empregos, legislação, e assim por diante. O Grupo pretende também, futuramente, desenvolver projetos em conjunto com o Departamento de Geografia dessa universidade.

domingo, 18 de março de 2012

O sucesso do economicismo na geografia

No post anterior - Carlos Walter mudou para ficar a mesma coisa - um leitor me perguntou a razão de eu afirmar que o economicismo ficou difícil de defender após a derrocada socialista se esse modo de pensar continua a ser tão influente. Vou tentar responder sem delongas.

Primeiramente, é preciso notar que a popularidade dessas velhas teses marxistas varia muito de um país para outro. Como já lamentou o filósofo Ruy Fausto (que é socialista): "[no Brasil] o marxismo é muito vivo, enquanto na Europa ele está morto – e nenhuma dessas atmosferas me satisfaz muito” (Fausto, 2002). Em segundo lugar, conforme eu digo no livro Quebrando a corrente: por uma crítica da geografia atual (*), o marxismo já vivenciava uma crise teórica e prática profunda havia cerca de vinte anos quando a geocrítica tornou-se hegemônica na geografia brasileira. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Carlos Walter mudou para ficar a mesma coisa

Em 1982, o Boletim Paulista de Geografia publicou uma edição especial com o tema Geografia e Imperialismo. Estávamos ainda na fase da maior efervescência da geografia crítica e radical, quando a maioria dos integrantes dessa corrente se dizia marxista ou, no mínimo, afirmava utilizar o "método dialético" como base de suas pesquisas.

Nesse tempo, Carlos Walter Porto Gonçalves era a regra, não a exceção. No artigo que publicou nessa edição da revista (Gonçalves; Azevedo, 1982), seguiu a mais pura linha teórica marxista e leninista para explicar o dito imperialismo. Está tudo lá, como se pode ver num resumo esquemático:

segunda-feira, 12 de março de 2012

O artigo que a Conhecimento Prático Geografia ignorou

Tempos atrás, uma pessoa que leu um artigo que publiquei no site Escola Sem Partido me convidou por e-mail a escrever um artigo sobre o problema da doutrinação no ensino de geografia, o qual saiu publicado na revista Conhecimento Prático Geografia. Não me ofereceram qualquer remuneração por esse trabalho, muito embora se trate de revista produzida por editora privada e vendida em bancas de jornal, e nem eu solicitei qualquer pagamento.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Aqui, jogar tomates é debater ideias

Li um texto muito bom do geógrafo Anselmo Heidrich intitulado A noite escura da amoralidade. Depois de uma digressão inicial sobre a questão da criminalidade (retomada mais ao final do artigo), ele faz uma crítica pertinente a Olavo de Carvalho. Conforme citado no texto, Carvalho afirma o seguinte:

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dos "de baixo" é que não vem nada mesmo

Antigamente, ouvia-se com certa frequência um adágio bastante otimista que dizia o seguinte: "de onde menos se espera, aparece a solução". Como contraponto, o humorista conhecido como Barão de Itararé cunhou uma versão paródica: "de onde menos se espera é que não vem nada mesmo". Vale como aviso bem-humorado para os intelectuais críticos que, com o fracasso da tese marxista da centralidade operária, ficaram viúvos de uma teoria da revolução. As tentativas de cobrir essa lacuna são várias, e vou citar três agora. 

domingo, 4 de março de 2012

A "mídia" e a escola na cabeça contraditória de um professor

Depois que eu publiquei um estudo na revista Conhecimento Prático Geografia sobre o problema da doutrinação no sistema brasileiro de ensino, comecei a debater o assunto por e-mail com dois professores que me escreveram para manifestar suas discordâncias em relação às minhas conclusões. Partes desse debate eu organizei em um texto (disponível aqui), mas o diálogo continuou rolando, ao menos com um deles. Então, para que um assunto importante como esse não fique restrito a tão pouca gente, vou reproduzir agora uma passagem da discussão mais recente que exemplifica muito bem a visão autoritária e contraditória que os professores que se dizem críticos têm do ensino e dos meios de comunicação de massa.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Defensores da heterodoxia econômica ficam entre a crítica desonesta e a demagogia explícita

Economistas heterodoxos são, na sua grande maioria, de esquerda. Mas em que consistiria o receituário dos heterodoxos esquerdistas? É difícil dizer, pois, assim como os maus perdedores do planejamento urbano, essa turma gasta muito tempo malhando as políticas macroeconômicas ortodoxas e quase tempo nenhum para explicar quais são suas alternativas. Mas, por algumas críticas que fazem às políticas macroeconômicas de que discordam, somadas a uma ou outra afirmação um pouco mais propositiva, é possível saber algo sobre o que desejam. Vejamos: