quarta-feira, 30 de maio de 2012

Estudiosos da infância parece que também não estão nem aí para o trabalho infantil na agricultura "camponesa"

No post anterior eu comentei que, embora haja 909 mil menores de quatorze anos trabalhando na agricultura familiar, conforme dados oficiais, os políticos, a imprensa e os pesquisadores do agro silenciam covardemente sobre o assunto, muitíssimo ao contrário do que fariam se o problema existisse no agronegócio. E, ao que parece, os cientistas sociais que se dedicam a estudar a infância e juventude à luz dos valores da democracia, dos direitos humanos e da cidadania também preferem ignorar o tema. Pelo menos é isso o que sugere a programação do evento Perspectivas epistemológicas y metodológicas de la investigación en infancias y juventudes en América Latina, cuja programação completa está aqui.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Trabalho infantil na agricultura familiar não dá manchete

O que aconteceria se uma pesquisa oficial mostrasse que centenas de milhares de crianças trabalham em grandes empresas agropecuárias? O mundo viria abaixo! Os grandes jornais fariam disso matérias de primeira página, os "movimentos sociais" repercutiriam a notícia incansavelmente, propriedades seriam invadidas com o pretexto de que têm ou poderiam ter menores trabalhando ali e, por fim, seria  proposto um projeto de emenda constitucional - PEC, determinando a desapropriação das terras onde fossem encontradas crianças nessa situação. 

sábado, 26 de maio de 2012

Truque dos pedagogos é falar do mercado como se fosse algo externo à sociedade

Já comentei que a "outra universidade" proposta por Pedro Demo não passa de ouro dos tolos, uma vez que ele usa vários truques retóricos para associar imagens negativas ao dito "instrucionismo" e enfeitar suas sugestões vagas e superficiais com adjetivos bonitos (ver aqui). Para não me alongar muito, deixei para outra hora a crítica da visão que ele tem das relações entre mercado e sociedade. Pois a hora de fazer essa crítica chegou.

Pedro Demo, assim como a maioria dos pedagogos e professores brasileiros, pensa no mercado como se ele fosse um ente que existe separado da sociedade e que deve ser subordinado aos interesses sociais pelo Estado. Por isso, ele inicia o texto Outra universidade dizendo isto:

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Esquerdismo dos professores faz a universidade ir do patético ao vergonhoso

Sim, é patético e vergonhoso observar as consequências contraditórias das simpatias ideológicas e partidárias que predominam entre os professores universitários brasileiros - e quem manda nas universidades estatais são os professores. É patético, por exemplo, quando vemos os professores manifestarem desconfianças e suspeitas contra os cursos de especialização só por eles serem pagos e não verem tanta coisa suspeita que pode ocorrer na administração de recursos públicos. É vergonhoso quando a universidade se submete aos interesses de um partido ou mesmo de um único político, como se viu em 2010, pelo manifesto de reitores em favor da candidatura Dilma Rousseff, e na avacalhação do título de doutor honoris causa, transformado em mera peça de propaganda lulista.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Doutrinação: o que já era ruim ficou pior

Já comentei em outros posts que uma das razões para o forte predomínio de teorias críticas completamente ultrapassadas na geografia contemporânea é a doutrinação no ensino. Quando eu era aluno do ensino médio, na primeira metade dos anos 1980, isso já acontecia. Tudo o que as professoras de história e de geografia me ensinaram nessa fase foi puro marxismo. Aprendi o básico sobre a teoria marxista do valor trabalho lendo o livro História da riqueza do homem, de Leo Huberman (1981), e alguns volumes da Coleção "Primeiros Passos". Por sua vez, a teoria do valor utilidade não era nem sequer mencionada! 

domingo, 20 de maio de 2012

Conferindo o texto "O mensalão da imprensa"

Os professores universitários brasileiros concordam com tudo o que o PT faz, mesmo que isso implique discordar deles mesmos. Por isso, eles gostam de ler jornais, revistas e sites escancaradamente pró-PT (mesmo quando esses veículos não eram filopetistas no passado). Um exemplo disso é a revista Carta Capital. Sua tiragem é hoje bem pequena, mas os professores, que têm certo papel como formadores de opinião, gostam de ler aquilo, conforme já constatei em conversas com vários deles. 

Ora, aconteceu uns tempos atrás de eu tomar um chá de cadeira numa sala de espera de consultório onde havia uns números da Carta Capital. Por falta de opção, li algumas matérias que me fizeram lembrar de um artigo de Diogo Mainardi. Vejamos só os primeiros parágrafos:

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Alberto Carlos Almeida trocou seu próprio livro por falso confronto regionalista

O cientista político Alberto Carlos Almeida já publicou um livro muito bom, intitulado A cabeça do brasileiro (Record, 2007), que mostra os resultados da Pesquisa Social Brasileira – PESB. Essa pesquisa se baseou na aplicação de um questionário junto a uma amostra de 2.363 pessoas para fazer um teste quantitativo das teorias do antropólogo Roberto DaMatta a respeito da mentalidade do brasileiro. Daí que um dos méritos dessa pesquisa é que, ao invés de deduzir como as pessoas pensam partindo de um raciocínio econômico ou geográfico eivado de ideologia – coisa que Milton Santos vivia fazendo, como já comentei aqui –, foi-se a campo para averiguar diretamente com as pessoas o seu modo de pensar. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

O PT é podre por inteiro!

O objetivo precípuo deste blog é jogar tomates em diversas formas de pensamento esquerdista que dominam o sistema de ensino, a geografia e os debates públicos no Brasil contemporâneo. E, como não gosto de ficar repetindo o que já sai publicado em outros blogs e sites, costumo escrever textos de uma a duas páginas com reflexões sobre assuntos mais gerais dentro desse campo temático, tais como epistemologia da geografia, doutrinação no sistema de ensino, reforma agrária, e vários outros. Só que isso toma um certo tempo, motivo pelo qual publico a cada três dias, mais ou menos. O resultado é que, muitas vezes, tenho vontade de opinar sobre algum fato do momento, mas, como gasto vários dias para postar dois ou três textos sobre temas que já estão na fila, o momento acaba passando sem que eu tenha me manifestado a respeito. Em vista disso, resolvi alternar os textos de uma a duas páginas sobre discussões mais gerais com textos breves sobre acontecimentos em curso. 

domingo, 13 de maio de 2012

Demétrio Magnoli acertou em cheio na crítica ao julgamento do STF

Escrevi estes dias um post sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal - STF considerar constitucionais os programas de reservas de vagas para candidatos negros (pretos e/ou pardos) nas universidades. Meu argumento era que, à luz do princípio da igualdade jurídica entre os indivíduos, que é essencial para a existência de um regime democrático, esse tipo de política discriminatória é tão condenável quanto as leis de segregação racial. E, para não pensarem que eu sou um formalista inflexível, que deseja impor princípios gerais mesmo quando a prática concreta mostra que as consequências disso são negativas, alertei que as experiências internacionais de aplicação de políticas de cotas demonstram sua ineficiência. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A inutilidade do conceito de "função social" da propriedade

O economista Maílson da Nóbrega já comentou em um artigo que, nas constituições dos países anglo-saxões, inexiste o conceito de função social da propriedade. Ao ler algo assim, a grande maioria dos brasileiros deve pensar: “isso é que é capitalismo selvagem!”. Afinal, a desconfiança em relação à economia de mercado e seus efeitos sociais e sociológicos é tão forte no Brasil que acabou sendo consagrada pela constituição de 1988, segundo a qual o direito de propriedade tem de ser relativizado pelo conceito de função social. 

Essa diferença entre os dois tipos de construções jurídicas tem raízes que remontam, pelo menos, ao século XVIII. Naquela época, já se delineava a visão liberal de que a economia de mercado oferece incentivos econômicos para que os indivíduos trabalhem, façam trocas, poupem e invistam, de sorte que a economia capitalista acaba sendo simultaneamente competitiva e cooperativa: para ganhar dinheiro, é preciso vender algo que seja necessário para os outros, de maneira que a concorrência entre empreendedores acaba sendo definida pelo objetivo de oferecer aos clientes a melhor relação custo/benefício possível. Se cada um fizer o que é bom para si mesmo, o coletivo sai ganhando. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dilma executa reformas de FHC e intelectuais críticos concordam com tudo, exceto com eles mesmos

Além de privatizar aeroportos, a presidente Dilma Rousseff acabou de implementar mais uma reforma tucana. Ela sancionou a lei que institui a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) para os servidores públicos da União. O objetivo é estabelecer uma isonomia entre os sistemas de aposentadoria dos servidores públicos e dos trabalhadores do setor privado, posto que os servidores que forem contratados a partir da entrada em vigor da nova lei não terão mais direito a uma aposentadoria com valor igual ao do último contracheque. A partir de agora, os novos servidores públicos federais terão garantido apenas o teto da previdência, que hoje está em R$ 3.916,20, e precisarão pagar contribuições ao Funpresp ou a algum plano de aposentadoria privado se quiserem um rendimento mais alto.

sábado, 5 de maio de 2012

A "outra universidade" de Pedro Demo é ouro dos tolos

Já li diversos textos em que são citados estudos de Pedro Demo, mas, até estes dias, nunca tinha me disposto a ler nada desse autor. O que me desanimava a ler sua obra era que, pelas citações, já ficava claro que ele se alinha com as ideias básicas dessa "pedagogia progressista" que anda por aí. Ainda assim, resolvi me dar ao trabalho de atravessar as 54 páginas do seu texto Outra universidade para ver se havia ali alguma coisa que valesse a pena ser lida. Uma ideia ou outra são interessantes, mas nada que não seja encontrado em outros trabalhos muito melhores. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

STF reformador e racialista está tão errado quanto Suprema Corte racista

A história mostra que, se existe uma ideia dificílima de ser aceita, em qualquer sociedade, é a da igualdade de todos perante a lei. Da Antiguidade até o século XVII, o poder político se legitimava pela tese, sistematizada primeiramente por Aristóteles, de que os homens são intrinsecamente desiguais. Fosse um déspota com poderes absolutos, uma aristocracia de proprietários de terras e/ou uma elite de burocratas que acumulavam privilégios, a legitimação do poder se dava sempre com base nessa visão de que a desigualdade entre os homens seria natural e, por isso mesmo, moral. Foi somente com o iluminismo que essa tese aristotélica começou a ser contestada radicalmente. Na concepção jusnaturalista de Hobbes, os indivíduos independentes uns dos outros é que constituem o estado natural, de sorte que o poder político tem de ser exercido com vistas a garantir o princípio da igualdade de todos perante a lei e a liberdade individual para estabelecer contratos.