sexta-feira, 29 de junho de 2012

O apocalipse segundo João Manuel não aconteceu, mas a claque continua fiel

No post anterior, comentei que a mistura de política com pesquisa acadêmica atingiu um nível tal que Aloizio Mercadante virou doutor ao transformar em tese um livro de propaganda política que ele havia escrito para defender o governo do seu partido. Para dar brilho à defesa dessa tese, cuja surpreendente conclusão é a de que o governo Lula constitui uma novidade histórica altamente positiva, foram convidados para a banca alguns grandes nomes da ciência econômica brasileira, dentre os quais estava João Manuel Cardoso de Mello, imperador do IE-Unicamp. 

domingo, 24 de junho de 2012

Aloizio Mercadante confirma o achado de Roberto Romano

Certa vez, o filósofo Roberto Romano disse algo que sintetiza muito bem a situação da academia brasileira nestes tempos em que o pensamento supostamente crítico é hegemônico. Vou citar de memória: do modo como está indo, defesa de tese vai ser feita em praça pública, a aprovação do candidato vai depender dos aplausos da plateia e o título não vai ser de doutor, mas de companheiro. É triste dizer, mas o Instituto de Economia da Unicamp, principal centro de pensamento econômico de esquerda no Brasil, parece ter comprovado que já chegamos praticamente nessa situação. É só ler a matéria da Época sobre como o atual ministro da educação, Aloizio Mercante, tirou o seu título de companheiro, digo, de doutor. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Gazeta do Povo tratou da propaganda eleitoral em sala de aula

Recomendo fortemente a leitura do artigo que o advogado Miguel Nagib, coordenador do site Escola Sem Partido, publicou no jornal Gazeta do Povo. O artigo começa assim: "Quando o ex-presidente Lula compareceu ao programa do Ratinho para promover a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, os demais candidatos protestaram contra a violação escancarada ao calendário eleitoral. E com razão. Mas o fato é que episódios como esse são apenas a parte visível do imenso iceberg da propaganda eleitoral ilícita realizada pelo PT. O grosso dessa propaganda não aparece na tevê e não é captado pelo radar da Justiça Eleitoral".

Ele se refere, é claro, ao trabalho de propaganda feito pelos professores em sala de aula. Um problema que vem de longe, por sinal. No começo dos anos 1980, eu tive uma professora de geografia que mandava fazer debates em sala de aula, inclusive sobre temas eleitorais, e dizia claramente: "se depender da minha opinião, votem no PT". E nós, os alunos, ainda nem tínhamos idade para votar... 

Para ler o artigo completo na Gazeta do Povo, é só clicar aqui. Abaixo, cito uma passagem do texto que é primorosa:
[...] a doutrinação ideológica, como o vampirismo, se propaga por contágio: a vítima se transforma em agente-transmissor das mensagens que lhe foram inculcadas.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Inventores da "pegada ecológica" seguem o rastro de Celso Furtado até nas bobagens

Conforme eu já comentei no post A China responde a Celso Furtado, esse economista afirmava, nos anos 1970, com base nas conclusões do estudo Os limites do crescimento, que era ecologicamente impossível levar à toda população do planeta o padrão de vida dos países ocidentais. A escassez de recursos e os impactos ambientais gerados nesse processo forçariam os países em subdesenvolvimento a optar entre um alto padrão de consumo, mas restrito a pequenas parcelas de suas populações, ou um padrão de vida digno para todos os seus habitantes, só que mais modesto do que o vigente nos países desenvolvidos.

domingo, 17 de junho de 2012

Rio + 20 devia reconhecer que aquecimento global acabou, mas isso não seria bom negócio

James Lovelock
O jornalista Guilherme Fiuza acaba de publicar o texto Rio + 20 = 0 (Época, n. 735, 18 jun. 2012), em que  lança petardos poderosos contra os "ecoburocratas" que ganham dinheiro proclamando o fim do mundo. Não vou resenhar o texto, e sim destacar uma passagem que merece complemento de especialistas, qual seja:
A Convenção do Clima [assinada durante a Rio 92] gerou o que se sabe: uma sucessão de protocolos sobre redução das emissões de gás carbônico. Cada um é mais severo que o anterior, devidamente descumprido. Com novos prazos de carência, as metas vão ficando mais ambiciosas, numa espécie de pacto com o nunca.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Milton Santos fracassou em elaborar uma "teoria do Brasil"

Com aquela pretensão que lhe era peculiar, Milton Santos escreveu que o livro Brasil: território e sociedade no início do século XXI tinha o objetivo de "fazer falar a nação pelo território", ou seja, construir uma teoria do Brasil pelo estudo do território usado (Santos; Silveira, 2003). Isso o colocaria no mesmo patamar dos grandes clássicos das ciências sociais brasileiras que tomaram o Brasil como objeto para a elaboração de teorias, caso de Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior, entre outros. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Estudantes miram o Brasil e não acertam nem na sala ao lado

Não quero dar a impressão de que me oponho à atual gestão do Cageo ou que desvalorizo o trabalho que está sendo feito por essa entidade. Acho elogiável que haja alunos dispostos a trabalhar de graça para fazer as coisas acontecerem na universidade, seja promovendo atividades acadêmicas, como palestras e mesas-redondas, debatendo questões profissionais ou representando os estudantes na discussão de temas que são de seu interesse, como reformas curriculares. Eu mesmo participei do centro acadêmico, eras geológicas atrás, mas acabei desanimando, por motivos que já comentei neste blog. 

domingo, 10 de junho de 2012

Sistema COC de ensino e liberdade de expressão

O Supremo Tribunal Federal - STF, está para tomar uma decisão de grande importância, pois diz respeito tanto ao combate contra a doutrinação no ensino como à liberdade de expressão. O fato é que o Sistema COC de ensino, um dos maiores do país, moveu uma ação por danos morais contra a jornalista Míriam Macedo, a qual publicou um artigo com críticas ao conteúdo doutrinador de uma apostila dessa empresa que era usada na escola onde sua filha estudava. Foi também processado o senhor Miguel Nagib, Coordenador do site Escola Sem Partido, pela divulgação do texto na internet. Como desdobramento desse caso, está para ser julgado um recurso que vai decidir uma questão fundamental para blogueiros e jornalistas, a saber: qual o foro competente para o julgamento de uma ação de reparação de danos alegadamente causados pelo exercício da liberdade de informação jornalística?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Adesão dos alunos de Geografia Econômica à greve foi de uns 75%

Comentei num post anterior que não estou em greve e que iria aplicar prova na segunda e na quarta passadas. Ao todo, fizeram prova 24 alunos na segunda à noite e 5 na quarta de manhã, sendo que, destes últimos, 2 eram alunos do noturno que não haviam podido comparecer na segunda. Portanto, a adesão dos alunos da noite à greve foi de uns 50%, enquanto os alunos da manhã aderiram quase totalmente.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os intelectuais existem para complicar, mas Haesbaert acha o contrário

Diogo Mainardi escreveu certa vez que o intelectual existe para complicar, mas os intelectuais brasileiros simplificam. Ele tinha toda razão. Ao invés de participarem dos debates públicos visando contribuir com conhecimentos detalhados e tão objetivos quanto possível sobre os assuntos em pauta, de modo a corrigir as simplificações produzidas pelo senso comum e pela retórica dos militantes, nossos intelectuais se querem também militantes. Não se incomodam, pois, de construir visões da realidade baseadas em retórica simplificadora, contraditória ou até mentirosa mesmo, conforme já procurei demonstrar neste blog ao criticar autores como Lopes de Souza, Conceição Tavares, Milton Santos, Belluzzo, e vários outros.

domingo, 3 de junho de 2012

Salário dos professores é menor do que no tempo de FHC. Mas vou aplicar prova na segunda

Antes de o PT chegar ao poder, as universidades federais faziam, em média, uma greve a cada dois anos e meio. Assim me contou um professor que está entre os mais antigos no meu departamento. Em dez anos de governo petista, tivemos muito menos greves, e bem menos mobilizadas. É que o PT paga melhor? De jeito nenhum!  O economista Pierre Lucena deflacionou os valores do salário de um professor doutor da classe adjunto nível 1 e descobriu que, em 2012, essa categoria ganha 8,2% menos do que ganhava em 1998! O governo FHC pagava mais e o PT ainda implementou uma reforma da previdência que dá continuidade àquela realizada pelos tucanos, conforme já comentei em outro post.