segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Fisioterapeuta não trabalha de graça no Natal, embora saúde não seja mercadoria

Diminuí a frequência de postagens neste mês porque desenvolvi algumas lesões musculares em função de ficar tempo demais sentado e em má postura. Entrei na fisioterapia, é claro, mas percebi que, quanto mais tempo eu passo diante deste micro, mais dor eu sinto, mesmo fazendo exercícios. Vou ter de trocar os móveis do escritório se quiser usar mais esta máquina.
 
Sobre a fisioterapia, fugi do sistema público de saúde porque, apesar da enormidade de impostos que eu pago, o serviço é uma droga. E como o meu plano da Unimed não cobre esse serviço, paguei R$ 150,00 por mês, durante dois meses, pelas sessões de fisioterapia. Como o preço estava salgado e a clínica era fora de mão, troquei por uma academia. Sai mais barato e eu já tenho na memória os exercícios que preciso seguir. Só que andei exagerando na malhação e acabei ficando com dor do lado esquerdo das costas, quando antes eu só tinha dor do lado direito... Que falta faz uma fisioterapia de graça!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A hipocrisia dos sindicatos que atacam a EBSERH

"Passagem livre para tráfico de drogas e armas". Grevistas da Polícia Rodoviária Federal, em cartaz num posto de policiamento na Via Dutra. O governo federal ameaçou demitir os autores da frase. Revista Época, 27 ago. 2012.

Não há dúvida de que as gestões do PT na área da saúde são um completo desastre, um retrocesso sem tamanho. Os números do IBGE mostram que, do último ano do governo FHC até 2005, o número de leitos hospitalares caiu 5,9%, chegando ao mais baixo patamar em três décadas. Isso fez a taxa de leitos cair de 2,7 para 2,4 por mil habitantes nesse período, sendo que a OMS considera recomendável haver entre 3 e 5 leitos por mil habitantes. Entre 2007 e 2012, a taxa caiu ainda mais, chegando a 2,3, e o número de leitos diminuiu até em termos absolutos (ver aqui). Diante disso, o descalabro que é a importação de escravos cubanos com diploma de médico acaba sendo café pequeno...

domingo, 24 de novembro de 2013

Ônibus interestadual caro explica a diferença entre PT e PSDB

Como dizem economistas como Allan Greenspan e Paulo Guedes, a diferença entre liberalismo e socialdemocracia é que a primeira corrente enfatiza a importância da eficiência econômica como meio para combater a pobreza e melhorar a qualidade de vida, enquanto a segunda enfatiza a necessidade de instituir mecanismos de distribuição de renda externos ao mercado para chegar a esses resultados. Seguindo basicamente a mesma linha de raciocínio, o cientista político Alberto Carlos Almeida afirma que o PSDB é um partido de "centro-direita", por sua preocupação com a eficiência econômica, enquanto o PT é um partido de "centro-esquerda", já que mais preocupado com a questão da igualdade. Hummm... 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Resposta à propaganda do Colégio Medianeira

Não há dúvida de que a crítica do preconceito é um tema cultural e político importante, mas, quando realizada pelas lentes ideológicas dos inimigos do mercado, acaba levando a pelo menos dois tipos de distorção: o uso de acusações injustas de preconceito para difamar adversários políticos e proteger os "companheiros" de quaisquer questionamentos; e a conversão da hipótese de que o preconceito pode ser a causa de desigualdades reais ou supostas num dogma usado para explicar aprioristicamente toda sorte de diferenças entre indivíduos, especialmente as econômicas.

domingo, 10 de novembro de 2013

A esquerda gigolô do feminismo

A edição de outubro da revista Piauí traz uma matéria que homenageia o talento, a luta política, o humor anárquico e até a genialidade do cartunista e jornalista Henfil, morto há 25 anos (acesso aqui, mas só para assinantes). Sem perceber que estava fazendo um quarto de século que ele morreu - fração de tempo que enseja comemorações e rememorações, tanto quanto a "mística do número redondo", de que falava Carlos Drummond de Andrade -, escrevi alguns posts sobre Henfil neste blog. Meu objetivo, porém, era mostrar um outro lado desse autor, tomando-o como exemplo máximo de um viés de pensamento fascistoide muito típico da esquerda brasileira: a presunção de superioridade moral, manifesta na tendência a acreditar que qualquer pessoa que discorde das teses defendidas pelos esquerdistas só pode ser mau caráter.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O mal do Brasil são os posseiros do Estado, Miriam Leitão

Miriam Leitão é, sem dúvida, uma das vozes que batalham para dar racionalidade aos debates públicos sobre questões econômicas. Daí a importância do seu trabalho jornalístico, especialmente num país como o Brasil, cujo Estado segue eternamente dominado pela demagogia desenvolvimentista ou nacional-populista. Por essa razão, ela é um dos alvos dos petralhas que agem a soldo na internet ou em blogs e sites financiados por estatais do governo federal, os quais se dedicam à difamação dos que ousam fazer qualquer crítica ao PT - só para dar um exemplo, o Blog da Dilma já apelou até para o racismo ao atacar Joaquim Barbosa, publicando a foto dele ao lado da foto de um chimpanzé... 

Apesar disso, Miriam Leitão foi profundamente injusta e covarde ao publicar recentemente um artigo no qual acusa a suposta existência de uma "direita hidrófoba", representada por pessoas como Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, que se igualaria àquela gente "muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais" na prática da difamação de adversários e do uso de argumentos emburrecedores. Mas não vou repetir as críticas feitas por Reinaldo Azevedo ao texto de Miriam, as quais são um primor de argumentação (ver aqui). 

domingo, 3 de novembro de 2013

Chega de leituras ideológicas da cultura indígena em sala de aula

Comentei num post anterior o texto Todo dia é dia de índio, do professor Giovani José da Silva, que traz ideias interessantes para o ensino da história e da cultura indígenas (aqui). Volto a esse trabalho para mostrar outras possibilidades interessantes que o tema traz para o ensino de história e também para alertar contra os usos ideológicos que se costuma fazer dele em livros de história e de geografia. Comecemos com esta passagem:

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Agrotóxicos não fazem mal à saúde, mas nutricionista se contradiz para propagandear orgânicos

Entre os mil e um argumentos que militantes do MST, geógrafos agrários e outros intelectuais engajados apresentam para contrapor o agronegócio à agricultura familiar, um dos mais repetidos é o de que incentivar esta última significa dar força à produção de alimentos orgânicos, que são produzidos de forma sustentável e não fazem mal à saúde das pessoas. OK, mas os textos que já li a respeito não apresentavam dados de pesquisas que comprovem que os alimentos produzidos com fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas sejam prejudiciais à saúde. Simplesmente assumem isso como um fato, e pronto!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Difamação do liberalismo e do conservadorismo em livros didáticos

Um fator que é causa e ao mesmo tempo resultado da fragilidade do liberalismo no Brasil é a forma como a escola, além de omitir e fraudar fatos históricos para elogiar o socialismo, difama as vertentes de pensamento que não são de esquerda. Um exemplo muito claro disso é esta passagem de um dos livros didáticos de José W. Vesentini:

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Groucho Marx explica o Índice de Felicidade da ONU

Uma das grandes tiradas do humorista Groucho Marx diz que "a política é a arte de buscar problemas, encontrá-los, fazer um diagnóstico falso e aplicar depois os remédios errados". Se repararmos bem, a ONU, nada mais do que uma "estatal mundial", na expressão do geógrafo Wanderley Messias da Costa, age exatamente dessa forma, mesmo quando se apoia em indicadores quantitativos.

Realmente, uma das mais explícitas tentativas da ONU e de governantes de vários países para fazer política marxista (marxismo de Groucho, mas talvez essa expressão sirva também para falar dos seguidores do velho Karl...) são os estudos para construir um índice de felicidade. Seguem trechos de uma boa matéria a respeito:

sábado, 19 de outubro de 2013

"A ONU é uma estatal mundial". Prova disso é o IDH

A frase que serve de título para este texto é do geógrafo Wanderley Messias da Costa, que a proferiu durante uma aula de pós. Realmente, o primeiro e maior objetivo da ONU é convencer a opinião pública de que existe uma contraposição entre desempenho econômico e qualidade de vida para, com base nesse diagnóstico falso, propor soluções políticas voluntaristas e, assim, justificar o dinheiro despendido na manutenção e ampliação dos aparelhos técnicos e burocráticos da própria instituição.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Lei que tornou obrigatório o ensino de história e cultura indígenas é inútil

A única vantagem que a velhice traz é a memória (mesmo assim, só se o Alzheimer não chegar...). Quando cursei o ensino fundamental, as aulas de história e de geografia seguiam uma diretriz nacionalista que, embora não fosse explícita, refletia-se nos conteúdos ensinados. Aprendíamos sobre os heróis nacionais e víamos a história do Brasil como um processo de construção coletiva na qual pessoas de diferentes raças e culturas se misturavam e cooperavam, criando um povo original. Daí que, todo mês de abril, quando se comemora o dia do índio, aprendíamos sobre as contribuições dos povos nativos à cultura brasileira contemporânea. O hábito de tomar banho diariamente, o consumo de alimentos como a mandioca, o uso de muitas palavras de origem indígena, e assim por diante. Certa vez, nossa escola foi visitada por três representantes de uma tribo indígena que foram lá para contar aos alunos como era o modo de vida deles.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Professores do Rio põem em prática a violência que ensinam nas escolas

Quando estouraram as badernas de junho, motivadas pela ideologia esquerdista que alimenta o Movimento Passe Livre e grupos do tipo Black Boc, alertei para o fato de que esses vândalos se sentiam justificados pelo que tinham aprendido nas escolas (ver aqui). Após apresentar uma série de evidências para demonstrar que a escola brasileira apoia abertamente a violência insurrecional e ditaduras comunistas, indaguei: até que ponto o sistema brasileiro de ensino não tem responsabilidade indireta nas explosões de violência a que estamos assistindo, já que divulga as ideologias socialistas que servem de base para as ações truculentas de certas pessoas convocadas a ir às ruas pelo Passe Livre?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Estado moderno diz sim quando devia dizer não e diz não quando devia dizer sim

Dando continuidade ao post Quando o Estado moderno aprendeu a dizer sim com bons motivos, vou citar aqui alguns exemplos de como os governos da atualidade selecionam os estudos científicos que se mostram úteis à legitimação de ações que, em benefício de políticos, burocratas e de grupos de pressão organizados, atendem aos piores desejos dos eleitores. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Miguel Nagib: "Professor não tem direito de 'fazer a cabeça' de aluno"

Faço uma breve pausa na discussão inciada no post anterior a este para dar destaque à publicação de um texto do advogado e coordenador do site Escola Sem Partido sobre os problemas éticos e legais envolvidos na prática da doutrinação ideológica nas escolas brasileiras, um dos temas discutidos neste espaço. O texto foi publicado no blog do economista Rodrigo Constantino, e pode ser lido integralmente aqui. Abaixo, ponho em destaque os parágrafos inciais (itálicos no original):

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Quando o Estado moderno aprendeu a dizer sim com bons motivos

Estou muito longe de ser um admirador das ideias do filósofo Michel Foucault. No entanto, há uma observação histórica que ele faz a respeito da transformação da "economia política do poder", ocorrida do século XVIII em diante, que me parece muito interessante como pista para entender os problemas do mundo contemporâneo. É a seguinte:

sábado, 28 de setembro de 2013

Eu também odeio o Chris. Ou: da relatividade da pobreza

Quando falo aos meus alunos sobre a pobreza, costumo fazer a seguinte brincadeira: "vocês já viram a série Todo mundo odeia o Chris? Pois eu também odeio o Chris!". Começo a explicar o motivo dizendo que, como todos sabem, a história desse sitcom (que eu acho bem divertido, embora tenha visto poucos episódios) é fictícia, mas baseada na vida do ator Chris Rock, o qual também foi produtor executivo da série e narrador dos episódios. Acontece que boa parte das piadas tratam de quanto ele e sua família eram pobres: "a gente era tão pobre que dividia até o sono"; "a gente era tão pobre que isso e mais aquilo". Mas, quando eu observo o padrão de vida que os personagens levavam no período em que a série se passa, os anos 1982 a 1987, constato que, se ele era pobre, eu já fui miserável!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Não pretendo fundar uma nova corrente de pensamento geográfico

Na última disciplina que ministrei junto ao Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE, um dos professores que participaram fez uma pergunta muitíssimo interessante. Ele comentou que, como eu estava fazendo uma série de refutações a autores e teses pertencentes à geografia crítica ou radical (já que a proposta da disciplina era justamente questionar os conteúdos da geografia escolar informados por essa corrente), qual seria então a nova escola de pensamento geográfico que eu teria a propor em substituição a esta? Minha resposta foi que eu não tinha o objetivo de substituir uma vertente de pensamento por outra e que nem achava possível fazer isso na geografia.

domingo, 22 de setembro de 2013

PT meteu a mão até na Pesquisa de Orçamentos Familiares

O aparelhamento do Estado pelos governos petistas manifesta-se não apenas na ocupação de milhares de cargos públicos por militantes do PT e sindicalistas pelegos, mas também pela contaminação das pesquisas realizadas por órgãos públicos com propaganda governamental. Um bom exemplo disso é a Pesquisa de Orçamentos Familiares - POF, do IBGE. A edição da pesquisa publicada em 2004, segundo ano do governo Lula, ainda manteve o perfil estritamente técnico que era a marca do Instituto até o final do governo FHC. A análise de resultados dessa pesquisa, com dados de estado nutricional para 2002-2003, comparados com os de pesquisas do mesmo gênero para os anos de 1975 e 1989, restringia-se a expor unicamente as conclusões derivadas da descrição dos fenômenos mensurados pelos instrumentos de pesquisa. Mas, pelas razões que já expliquei aqui, o governo Lula, inconformado com os resultados, decidiu meter a mão nas pesquisas sobre estado nutricional.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Crianças jogam fora merenda escolar saudável! É justo o Estado pagar por isso?

Na semana passada, tive o prazer de ministrar um curso para professores de geografia da rede pública do Paraná no âmbito do Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE. Entre diversos questionamentos e perguntas interessantes feitas pelos professores, vou destacar agora uma revelação que desfaz a imagem popular a respeito dos alunos da rede pública e da pobreza brasileira. Ocorre que, durante uma discussão sobre a abordagem que os livros didáticos fazem dos temas da reforma agrária e da fome, os professores contaram que, nos colégios em que lecionam, existe um enorme desperdício de merenda escolar, especialmente depois de ter sido adotada a diretriz de fornecer alimentos menos calóricos!

sábado, 14 de setembro de 2013

PT vive de torturar estatísticas para fazer propaganda enganosa

Chegando ao poder em nível federal, o PT realizou um aparelhamento de Estado de proporções inéditas na história brasileira, tendo em vista que milhares de petistas e de aliados do partido em sindicatos ganharam cargos públicos. Como parte desse processo, as instituições de pesquisa começaram a atuar com um viés não republicano, na medida em que o teor técnico dos trabalhos produzidos começou a ser contaminado pelos interesses do partido no poder e de seus aliados ideológicos. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Slavoj Zizek e as versões do dogmatismo anticapitalista

Conforme explicado em outro post (aqui), Slavoj Žižek é um teórico socialista cuja obra resume os truques retóricos usados pela maioria dos autores radicais da atualidade, a saber: primeiro, propor revoluções que apontam para utopias de conteúdos indefinidos; segundo, usar malabarismos dialéticos que, de modo mais ou menos explícito, justificam eticamente qualquer ação violenta com teor anticapitalista ou antiliberal; terceiro, culpar o capitalismo por todos os males do mundo sem explicar direito as relações de causa e efeito que justificariam tais acusações. Agora, é o momento de situar a forma como Žižek aplica esses truques no contexto da crise da teoria social crítica - tradição de pensamento que engloba o marxismo e todas as demais formulações teóricas assumidamente interessadas em contestar a ordem capitalista em bases radicais.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Conservadores e revolucionários fazem sociedade há muito tempo, no Brasil

Fique de olho
A novela do "mensalão" já está em seus últimos capítulos, e as análises políticas sobre o escândalo destacaram, entre muitas outras coisas, o seguinte: que a falência do socialismo empurrou as alas revolucionárias do PT para um pragmatismo tão cínico que as levou a se acomodar e beneficiar de velhas práticas patrimonialistas e fisiológicas; e que o gosto com o qual decidiram tomar banho de lama era uma decorrência lógica da velha ética revolucionária, segundo a qual não se faz omelete sem quebrar ovos. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Slavoj Zizek é o socialista que resume os outros socialistas

O filósofo esloveno Slavoj Zizek é uma autêntica celebridade acadêmica internacional. Se me perguntarem a razão de tamanho sucesso, eu diria que está no fato de ele resumir, levando ao paroxismo, todas as características comuns à grande maioria dos intelectuais socialistas dos dias de hoje. Mas não que eu já tenha lido algum dos diversos livros dele. Não li e nem pretendo ler, por uma simples razão: quando leio alguma entrevista ou texto desse autor, ou ainda uma resenha qualquer de seus livros (tanto favoráveis quanto desfavoráveis), fica claro que os escritos dele só servem para exemplificar toda a teia de imposturas a que costumam se entregar os intelectuais "críticos" da atualidade.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Brasil vai acumulando ineficiências. Ou: mentiras petralhas nos comentários - 3

Não adianta virem fazer retórica furada em cima da recente mudança na fórmula de cálculo do IDHM, pois a verdade é que, sob os governos do PT, o Brasil não só perdeu uma grande oportunidade de fazer as reformas necessárias para acelerar o crescimento econômico como viu piorar a qualidade do gasto público e uma perda de eficiência em vários setores. Tudo isso desmonta as mentiras que se espalham pelas áreas de comentários de blogs e sites de notícias. Basta ver mais umas poucas linhas de um comentário que mandaram para cá faz algum tempo:

domingo, 25 de agosto de 2013

Teoria do inconsciente é literatura?

A Federal ainda está em férias e, como costumo fazer nesses períodos, vou escrever um pouquinho sobre literatura e ciência. Começo então por me incluir entre aqueles leigos em psicanálise que são bastante céticos quanto à validade das teorias elaboradas por Freud e seus seguidores. Segundo Renato Mezan, um freudiano, embora cada indivíduo seja único, a teoria sobre a estrutura da personalidade - id, ego e superego - serviria como base para, mediante a análise dos discursos dos pacientes sobre si mesmos, descobrir as verdadeiras causas de seus problemas emocionais e comportamentos. Todavia, a comprovação dessa teoria sempre deixou muito a dever. A eficácia dos tratamentos psicanalíticos aplicados na solução de problemas comportamentais é para lá de questionável, e seus benefícios de longo prazo, reconhecidos pela neurociência, não parecem estar ligados à aplicação das teorias por parte do psicanalista, mas sim a alterações da química cerebral (que se dão lentamente) acarretadas pelo puro exercício de falar sobre si próprio.

domingo, 18 de agosto de 2013

IDH prova que crescimento econômico é fundamental. E nós vamos de "pibinho"...

Faz décadas que acadêmicos, ambientalistas, militantes políticos e burocratas da ONU esperneiam contra a ideia de que o crescimento econômico seja uma condição necessária para a elevação da qualidade de vida, especialmente dos mais pobres. Afirmam ser essa uma visão "economicista" que precisaria ser substituída por uma ética que colocasse o homem em primeiro lugar. Daí concederem muito mais importância à distribuição de renda do que ao crescimento econômico e insistirem que o importante não é a elevação da renda per capita em si mesma, mas a forma como as sociedades se organizam para transformar os frutos do crescimento econômico em qualidade de vida. E foi no contexto desse tipo de debate que surgiu o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, indicador síntese que, mesmo sem negar a importância social do crescimento da renda per capita, serviria como um indicador muito mais eficiente de qualidade de vida e, por conseguinte, um instrumento muito mais útil para o planejamento de políticas públicas do que a renda per capita tomada isoladamente.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Polícia democrática versus esquerda autoritária


A esquerda explora bem as lembranças da ditadura
Acabou de sair um artigo na revista Época intitulado Inimigos da democracia, o qual segue de perto a análise que fiz das novas ondas de violência a que estamos assistindo (ver aqui).

A matéria não afirma que os organizadores do protesto na Av. Paulista contra o governador do Rio podem ter contado antecipadamente com a baderna dos anarquistas do Black Bloc quando escolheram esse pretexto ridículo para sair às ruas de São Paulo, mas o conteúdo do texto traz evidências factuais que apontam para interesses políticos e/ou econômicos que podem estar por trás da violência.
Logo no início, o texto mostra, com vários exemplos históricos, a semelhança entre as vertentes violentas do anarquismo e o fascismo:

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Professor processa a Veja por danos morais e vence! Decisão equivocada

Eu ia publicar este post em junho, mas o turbilhão político causado pelos baderneiros acabou desviando as atenções. Trata-se do caso recente de um professor que foi apontado em matéria da Veja como exemplo de doutrinador ideológico, processou a revista por "danos morais" (sic) e, por incrível que pareça, ganhou a causa! Mas não vou tecer considerações sobre essa sentença absurda da juíza responsável pelo caso, posto que o jornalista José Maria e Silva escreveu um texto excelente sobre o assunto. Ele chama atenção para o fato de que a revista foi condenada apenas por haver feito críticas ao trabalho do professor e que esse tipo de sentença demonstra que o poder judiciário pode já estar exercendo aquilo que os petistas chamam de "controle social da mídia", isto é, censura ideológica. Se continuar assim, de fato, não é necessário instituir algo como o Conselho Federal de Jornalismo.

O artigo se intitula Contextualizando uma sentença, e reproduzo abaixo alguns parágrafos bastante esclarecedores:

sábado, 10 de agosto de 2013

Não houve "salto no IDH-M", mas mudança na forma de cálculo

O Brasil vem melhorando há muitas décadas
Anunciaram recentemente os resultados de uma pesquisa que apresenta a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDHM, para o período que vai de 1990 a 2010. Os petralhas que agem na internet ficaram excitados! Nem bem saíram as primeiras notícias sobre o assunto, comecei a receber e-mails que falavam de um enorme "salto" de qualidade de vida que teria ocorrido nos últimos vinte anos. Vejamos as informações em que essa gente se baseia para vender tal ideia:

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Desenvolvimento desigual é o último refúgio dos socialistas

Conforme procuro demonstrar em artigos e livros publicados, as dificuldades teóricas dos intelectuais críticos não se resumem à necessidade de explicar a crise do socialismo real e o abortamento das expectativas revolucionárias, pois é preciso também responder como tem sido possível ao capitalismo, em contradição com as previsões dos teóricos radicais, combinar crescimento econômico, melhora das condições de vida e democracia. Diante dessas dificuldades, os intelectuais socialistas apelam para o tema do desenvolvimento desigual, e se dividem em dois grupos.

sábado, 3 de agosto de 2013

Acreditar no Movimento Passe Livre é roubada!

Já critiquei muito o MPL por conta dos seus discursos e estratégias políticas de tipo chantagista, próprias das forças de esquerda mais autoritárias e violentas, como MST e seus congêneres radicais, o anarquismo bakuninista e os movimentos revolucionários que redundaram nas ditaduras comunistas. Agora, vou pôr em destaque um ótimo texto para demonstrar, com base em informações técnicas, que o MPL usa também a tática leninista e nazista de mentir de forma repetida e descarada até que a mentira se torne verdade.

De fato, os pós-adolescentes do MPL podiam ter a honestidade de dizer que defendem o subsídio integral para as passagens por acharem que esse seria o primeiro passo para uma economia totalmente estatizada, nos moldes do socialismo. Mas não! Eles preferem disfarçar essa bandeira com o uso da expressão "Direito à Cidade" - muito cara aos geógrafos, por sinal (Diniz Filho, 2013) - e ainda dão a entender que, se todos pagássemos pelo transporte público integralmente com o dinheiro dos impostos, não pela compra de passagens, os custos seriam menores e o sistema mais "justo". É o que acontece toda vez que a passagem de ônibus sobe, pois, independentemente de qual foi o valor do aumento, essa turma vai às ruas segurando cartolinas com dizeres do tipo "é um roubo" ou "tantos Reais de aumento é um roubo", ou ainda, "Tantos Reais já é roubo".

terça-feira, 30 de julho de 2013

Violência na Paulista e nova pauta do protesto são ótimas para o PT

Estive em São Paulo neste final de semana para participar da festa de aniversário do meu sobrinho, e verifiquei pessoalmente o estrago que baderneiros com motivações ideológicas e/ou partidárias de esquerda deixaram em agências bancárias da Avenida Paulista. Tudo indica que, agora, a estratégia da esquerda radical e/ou diretamente aliada ao PT é arranjar desculpas para mobilizações que tenham potencial para desgastar a imagem do governador tucano sem prejudicar Dilma e Haddad, tal como ocorreu nas arruaças de junho. Com efeito, o motivo alegado para a mobilização da última sexta, que acabou outra vez em vandalismo, é que se tratava de um ato político de solidariedade aos protestos contra o governador do Rio de Janeiro (ver aqui).

Bingo! Geraldo Alckmin é desgastado justamente na área da segurança pública, aquela em que os tucanos paulistas têm resultados excelentes para exibir - queda vertiginosa dos índices que medem criminalidade -, e sem que qualquer cobrança de combate à corrupção e de melhoria da qualidade de políticas públicas caia no colo das gestões municipal e federal.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sob este frio de Curitiba, evidências contra a tese do aquecimento global antropogênico

Ontem eu vi um pouquinho de neve cair, durante alguns minutos, da janela do meu apartamento. Só deu para molhar o chão já molhado, mas eu jamais tinha visto isso no Brasil. Engana-se, porém, quem pensa que eu vou usar esse episódio isolado para falar contra a tese do aquecimento global antropogênico - AGA. Não sou especialista no assunto, mas nem por isso me rendo à tentação de fazer generalizações a partir de casos isolados quando as estatísticas não vêm em socorro. Ao invés disso, vou lembrar um documentário recheado de estatísticas sobre o assunto, e que já tem alguns anos, intitulado A grande farsa do aquecimento global

sábado, 20 de julho de 2013

Pesquisadores pacifistas adoram distorcer as teorias de que discordam

Acabei de ler um artigo sobre as causas da violência que me deixou pasmo pelo despudor com que certos cientistas e jornalistas distorcem as teorias de que discordam. O artigo completo está aqui, e vou comentar apenas as passagens abaixo:

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Não contem com este blog para fazer propaganda de tipo nazista

Descobri certa vez, com muita satisfação, que um pequeno texto meu havia sido publicado no blog Diplomatizzando, de Paulo Roberto de Almeida. Diversos comentários se seguiam ao texto, e um deles me chamou atenção por fazer uma crítica baseada na cobrança de informações que, conforme estava escrito no próprio texto, constavam de um trabalho maior de minha autoria, o qual era devidamente referenciado por um link. Então, como  o comentário não havia sido respondido, eu mesmo respondi, sendo que o autor do blog se manifestou em seguida para confirmar minha objeção àquelas linhas obtusas.

Mas não escrevo isso numa crítica a Almeida, que, além de um excelente acadêmico, destaca-se como autor de um blog de qualidade. Quero apenas mostrar como os internautas se aproveitam da informalidade dos blogs para martelar interpretações equivocadas usando meia dúzia de frases feitas, visto que dar resposta é muito mais demorado que comentar e, assim, os autores de blogs dificilmente têm tempo para responder a todos os comentários que recebem – especialmente quando se trata de um blog com mais de meio milhão de acessos, como é o caso de Diplomatizzando. Em respeito ao espírito do debate de ideias, os autores publicam esse tipo de comentário, mas acabam não tendo tempo de expor sua discordância.

domingo, 7 de julho de 2013

O povo é "safado" quando discorda da esquerda

Hipocrisia das esquerdas: elas não respeitam o "povo"
Intelectuais e políticos de esquerda costumam ser tão dogmáticos em suas convicções que acham impossível alguém discordar delas com boas intenções. Eles não têm o menor pudor de tachar todos que discordam deles de fascistas e mercenários do capitalismo, não importando se é um intelectual que pensa de modo diferente, um partido de oposição, ou até uma classe social inteira – não é assim, dona Marilena Chaui?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Foi Henfil quem disse "o povo brasileiro é safado"!

"O povo brasileiro é safado"
As pessoas da minha faixa etária se lembram muito bem do Henfil. Para os mais novos, vai aqui um brevíssimo resumo biográfico. O cartunista e jornalista Henrique de Souza Filho, mais conhecido como Henfil, nasceu em 1944, em Ribeirão das Neves (MG), e cresceu na periferia de Belo Horizonte, onde fez os primeiros estudos. Frequentou um curso supletivo noturno e um curso superior em Sociologia, mas o abandonou após alguns meses. 

De meados dos anos 60 até sua morte, em 1988, fez grande sucesso como quadrinista, chargista e humorista, dedicando-se quase que exclusivamente ao humor político. Ele era abertamente socialista, como se vê, por exemplo, em seu livro Henfil na China, de 1980, que eu li quando era jovem.

O autor defendeu as supostas conquistas sociais do regime comunista chinês com base no relato de uma viagem que fez ao país como jornalista. Nada de documentação histórica ou estatísticas para dar uma perspectiva geral do tema. Ele visitou uns poucos lugares, entrevistou grupinhos de pessoas, e concluiu que na China comunista se vivia melhor do que em Hong Kong... Mas, como se dizia um intelectual independente e libertário, criticava a falta de liberdade de expressão naquele país, bem como a subserviência dos chargistas chineses ao regime. Ainda assim, não disse uma palavra sobre campos de concentração e torturas (claro, seus guias jamais iriam levá-lo para conhecer presídios e coisas assim).

terça-feira, 2 de julho de 2013

CQD: Ceder à violência gera mais violência, como prova o MUBC

Como queríamos demonstrar no texto Alckmin e Haddad sabem que ceder ao fascismo gera mais fascismo, mas..., a decisão política de reduzir as tarifas de transporte público iria estimular mais atos de violência e de vandalismo. E eles, mesmo sabendo disso, calcularam que o custo político de não ceder seria ainda maior, já que houve tolerância de grande parte da imprensa e da opinião pública com os desmandos praticados e repúdio à ação da polícia. Ao invés de agirem movidos pelo princípio de fazer valer a ordem democrática, mantendo-se firmes na posição inicial de não ceder, preferiram o cálculo eleitoral.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"O povo brasileiro é safado"


Mais um da série "quem é o autor da frase que dá título a este post?". Só que, ao contrário das outras vezes, não vou contar agora quem foi que disse isso. Quem souber, ou quiser adivinhar, pode publicar um comentário com o nome.

A propósito, saber quem é o autor dessa frase não é interessante para refletir sobre a onda de arruaças e mobilizações de rua a que estamos assistindo?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vamos pesquisar a doutrinação ideológica nas universidades? Eu topo trabalhar de graça

Uma pesquisa realizada pelo CNT/Sensus, e complementada por levantamento feito em 130 livros e apostilas de história e de geografia, demonstrou cabalmente a prática da doutrinação ideológica no ensino médio brasileiro. Diante das evidências de doutrinação que existem também para o ensino superior, nada melhor do que fazer uma pesquisa semelhante em nossas universidades. Já existe até uma experiência internacional que podemos tomar por base.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Prisioneiros num "labirinto de algodão"

Destaco aqui um excelente comentário feito ao post anterior, mas motivado pelo texto Sim, a universidade justifica a violência, que toca em questões cruciais para a refutação da teoria social crítica na academia. Uma vez que o comentário é longo (tanto que foi publicado em duas partes) vou reproduzir apenas as passagens abaixo:
Imagino que algumas pessoas não entendam suas críticas (como o autor do comentário), pois tentam enxergar uma dominação mais explícita no meio acadêmico, devem imaginar que há aulas como aquela do filme "A vida dos outros", onde o professor/agente da Stasi trata da prática de interrogatórios e afirma aos alunos que "seus prisioneiros são inimigos do socialismo". Afora os casos de violência sobre os quais você já falou, acredito que compreender esta situação da academia requeira uma sensibilidade um pouco maior para determinados vazios e silêncios, geralmente pouco percebidos. (Aliás, estão aí os tabus das pesquisas acadêmicas, e não no funk carioca ou na cultura popular como muita gente gosta de afirmar). Acredito que haja, pelo menos, dois pontos que realçam a existência de certo "esquerdismo" dominante nas áreas de humanidades (mas que passam despercebido por outras pessoas).

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Esquerda investiu no caos e os bandidos tiraram proveito

Não adianta querer eximir certos "movimentos sociais" de esquerda, adorados por nossos professores de história e de geografia, de culpa pelas depredações e agressões que estamos vendo. Mas tem gente confundindo informações para fazer isso, conforme esta passagem de comentário publicado ao post Legitimação da violência nas universidades.

sábado, 22 de junho de 2013

Sim, a universidade justifica a violência!

Respondo agora a um comentário sobre o texto Legitimação do vandalismo nas universidades. O autor nega o problema da doutrinação ideológica no ensino dizendo o que segue:
Calma, professor!
Do jeito que o senhor fala as pessoas vão realmente acreditar que as nossas universidades são um antro de stalinistas preparados para fazer a revolução. Eu fico me perguntando como o senhor ainda não foi empalado e teve sua cabeça devorada pelos canibais esquerdistas que abundam as universidades públicas. Tome cuidado!
Até meia dúzia de vagabundos que vão vandalizar num protesto pacífico são motivo para se atacar a esquerda, e, numa explicação rasa sobre o problema educacional no Brasil, joga-se toda a responsabilidade nos professores esquerdistas.
Essa doutrinação que o senhor tanto fala não é verdade nem na universidade em que o senhor dá aula. Ou por acaso os professores esquerdistas estão a espancá-lo antes das aulas? Os seus colegas de departamento o impedem de fazer críticas ao marxismo em aula? O seu programa é oriundo de uma cartilha do PSTU ou do PSOL? Por acaso já foi impedido de lecionar mediante a ação terrorista de alunos militantes do PCB?
As faculdades e institutos de ciências humanas e sociais, assim como as organizações estudantis, são, sim, na sua maior parte, antros de stalinistas prontos para uma revolução - no caso dos professores, mais animados para apoiá-la do que para sujar as mãos fazendo... Evidência bem concreta disso está no fato de que, em 2007, 115 professores da USP – apenas 2,2% dos cerca de 5.200 docentes dessa universidade – foram signatários de um abaixo-assinado em favor da causa de uma cambada que tinha invadido a Reitoria, sendo que 101 desses professores pertenciam à FFLCH-USP!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Alckmin e Haddad sabem que ceder ao fascismo gera mais fascismo, mas...

Quando um bando de gente autoritária e disposta a praticar ou legitimar violências exige alguma coisa dos governos, não se pode ceder. Em hipótese nenhuma! Isso já deveria ser sobejamente conhecido pelas décadas de experiência que tivemos com o MST e outros supostos movimentos de "luta pela terra". E os tucanos e petistas sabem disso melhor do que ninguém, embora tenham lutado em campos opostos.

O governo FHC realizou o maior programa de reforma agrária que o Brasil já tinha visto, mas, à medida em que mais e mais famílias eram assentadas, a violência só crescia. Tanto é assim que o número de invasões de terra saltou de 145 para 502 nos anos de 1995 a 1999. Só em 2000 os tucanos se convenceram de que ser generoso com bandos agressivos só serve para incentivar mais pessoas a usar a violência, o que resultou na edição de uma Medida Provisória que eliminou o benefício econômico a ser obtido com invasões. O resultado dessa ação foi que o número de casos de invasão desabou para 236 em 2000, 158 no ano seguinte e para 103 em 2002, conforme dados da Ouvidoria Agrária disponíveis aqui.

domingo, 16 de junho de 2013

Legitimação do vandalismo nas universidades

No post anterior, comentei que o esquerdismo da escola brasileira pode ser um dos fatores responsáveis pelo vandalismo a que estamos assistindo - na verdade, trata-se de terrorismo mesmo, ainda que, até o momento, sem mortes, como notou Flávio Morgenstern. Mas não é apenas no ensino médio que os alunos aprendem que a luta insurrecional e as barbaridades cometidas por "movimentos sociais" como o MST são justificáveis, pois o mesmo se dá nas nossas universidades!

A primeira fonte de legitimação ideológica da violência nas universidades é a doutrinação teórica de esquerda que acontece nas salas de aula, especialmente nos cursos de ciências humanas. A influência da teoria social crítica (que reúne o marxismo e certo anticapitalismo pós-modernista) responde pela justificação moral de revoluções, insurreições, do crime comum e até do mau comportamento de estudantes.
 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Vândalos se sentem justificados pelo que aprenderam na escola

Interrompo a discussão que estava fazendo sobre o Bolsa Família para tratar dos atos de vandalismo e violência que vêm explodindo em São Paulo e Rio por conta do aumento das tarifas de transporte público. Antes de mais nada, é preciso deixar bem claro que a violência dos universitários se deve às ideologias de esquerda em que eles acreditam, já que os protestos foram convocados por militantes de partidos socialistas radicais, como PSOL, PSTU e PCdoB, e também da UNE (ver aqui). Em segundo lugar, lembre-se que o PT apoiou o Movimento Passe Livre na última eleição para prefeito, em mais uma demonstração de que esse partido não tem pudor de usar movimentos que abrigam gente fascistoide para chegar ao poder. Todavia, meu objetivo aqui é chamar atenção para o papel que a escola brasileira, inspirada por Paulo Freire e outros militantes marxistas e petistas travestidos de educadores, desempenha na difusão das ideologias autoritárias que alimentam essa violência.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A lúcida crítica de Muhammad Yunus ao Bolsa Família

O economista Muhammad Yunus concedeu uma entrevista à Época que, por um lado, revela a lucidez com que ele reflete acerca dos meios que podem ser empregados para enfrentar a pobreza, mas que, por outro lado, demonstra também a arrogância e primitivismo contidos na sua avaliação sobre os efeitos sociais do funcionamento do mercado. Neste post, vou mostrar apenas a parte da entrevista em que ele trata das políticas de combate à pobreza, deixando a crítica da sua visão sobre o lucro para outro post.
O economista Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, foi um visionário ao apostar na concessão de microcrédito e no empreendedorismo para reduzir a miséria em Bangladesh, onde ele nasceu e vive até hoje. Fundador do Grameen Bank, em 1976, e autor do livro O banqueiro dos pobres (Ed. Ática), Yunus contribuiu de forma decisiva para popularizar o microcrédito em todo o mundo. Segundo ele, o empreendedorismo é uma solução mais eficaz do que programas assistencialistas, como o Bolsa Família, para reduzir a pobreza. [...]

domingo, 9 de junho de 2013

Teoria da probabilidade contra teóricos da conspiração

Teorias da conspiração são comuns nos debates públicos, antes de mais nada, por serem fáceis de elaborar. Afinal, esse tipo de explicação consiste apenas em responsabilizar o adversário por um dado acontecimento ou em dizer que ele tem interesse em fazer o público acreditar numa determinada ideia. Daí que os ingredientes para elaborar uma teoria conspiratória crível são poucos e fáceis de formular. Primeiro, é preciso definir um inimigo das ideias e projetos que se deseja defender. Pode ser o comunismo, o capitalismo, o evolucionismo, a religião, o ateísmo, as elites... enfim, qualquer grupo, real ou imaginário, pode servir. Em segundo lugar, deve-se pressupor que esse inimigo é quase divino, pois sabe tudo e controla tudo, de sorte que nunca há nada que aconteça por acaso. Por fim, basta supor que, dada essa onisciência e onipotência do adversário, a prova de que a teoria conspiratória é correta está exatamente na falta de provas; afinal, "eles" escondem tudo... 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Bolsa Família em seu devido lugar. Ou: mentiras petralhas nos comentários - 2

Respondo agora a mais algumas mentiras que publicaram como comentário ao post Relembrando o "modelo econômico" que era "contra tudo o que está aí", conforme se lê abaixo: 
O FHC não fez uma política de transferência de renda, já o governo do PT é reconhecido no mundo inteiro pelo bolsa família e essa transferência de renda ajudou o enfrentamento da crise, pois alimentou a economia das pequenas cidades [...].
Muitíssimo pelo contrário! Quem instituiu as primeiras políticas de transferência de renda em nível federal foi o governo FHC, quais sejam:

domingo, 2 de junho de 2013

Se existir uma "cultura negra", ela é homofóbica

Fonte: TURRER, R [com PEROSA, T.], 2012.
Estou entre aqueles que rejeitam a ideia de que existam identidades nacionais ou continentais. Mas concordo que existem valores que são mais disseminados entre os indivíduos que formam determinados povos, valores esses que acabam definindo comportamentos que tendem a ser predominantes dentro desses povos e que, por isso, acabam muitas vezes moldando as instituições de um país ou grupo de países. É por isso que, embora eu rejeite a visão de Gilberto Freyre sobre a existência de um "caráter nacional" brasileiro, concordo que esse autor conseguiu captar apropriadamente o fato de que o racismo nunca foi um elemento estruturador da sociedade brasileira, ao contrário do que se vê na história de outros povos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Alunos preguiçosos praticam o socialismo sem saber (é, eu já fui aluno...)

Quando eu estava no primeiro ano do ensino médio, tive o primeiro contato com a geografia crítica. A professora não usava livro didático, não aplicava prova e dava poucas aulas expositivas. Quando fazia uma exposição, ficava só comentando assuntos políticos e econômicos do momento à luz de suas ideologias esquerdistas. No mais das vezes, organizava debates, sendo que a classe era dividida em dois grupos, um contra e outro a favor de determinada ideia ou proposta. Creio que o primeiro debate de todos foi "capitalismo versus socialismo". Houve um outro que tratava sobre pagar ou não pagar a dívida externa. Ao fim de cada debate, ela fazia um comentário sobre a discussão, posicionando-se. Assim, ficamos sabendo que ela era marxista, socialista e petista. Tudo bem ao gosto de um Paulo Freire da vida, autor do qual ela falava como se fosse um gênio. Mas, de geografia mesmo, não falou patavina.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A "redoma de vidro" do capitalismo brasileiro

Respondi a um comentário articulado e bem informado ao texto Joelmir Beting e as raízes da desigualdade brasileira, e avaliei que essa discussão merecia ganhar destaque numa postagem própria. Vejamos o texto do comentário e, em seguida, a minha resposta.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Marilena Chaui acusa a classe média de ser o que o PT é

Quando eu entrei na universidade, já me dizia marxista - também, pudera!, tudo o que minhas professoras de história e de geografia do ensino médio me ensinaram foram teorias marxistas. Daí que, ao tomar contato com as ideias de Marilena Chaui, minha primeira impressão foi positiva. Quem começou a desfazê-la, já na graduação, foi Antonio Carlos Robert de Moraes, meu professor e orientador de iniciação científica e de mestrado. Embora ele também fosse marxista, alertava que as pessoas não se davam conta de que existem duas Marilenas Chaui: uma é a filósofa da USP que se dedicava a escrever calhamaços sobre Espinosa; a outra é a militante petista que participa do debate político nacional. A primeira é uma intelectual competente, mas a segunda se alinha com tudo o que o marxismo já produziu de mais simplificador e obscurantista.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sobre "Os párias do quatrilhão"

BARROS, et. al., 2006, p. 107

A série acima demonstra que, embora a concentração de renda seja muito alta, no Brasil, o maior pico da desigualdade se deu no ano de 1989, quando o índice de Gini atingiu 0,634. Não por acaso, esse foi o ano em que a via crúcis da crise inflacionária chegou ao ápice, com a inflação anual atingindo 1.783%. Por conta disso, Joelmir Beting (1996) concluiu que a explicação para o fato de o Brasil ter chegado a figurar como o país de mais alta desigualdade de renda no mundo, segundo estudos do Banco Mundial, ligava-se diretamente à persistência de altas taxas de inflação. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mentiras petralhas nos comentários - 1

"Falar mentiras é diferente de ter uma opinião".
Reinaldo Azevedo, 26 de novembro de 2011.

Schopenhauer, ao elencar algumas estratégias que costumam ser usadas para vencer um debate por qualquer meio, lícito ou ilícito, avisava que os raciocínios errôneos eram fáceis de explicar e de entender, ao passo que as ideias corretas exigiam muito mais tempo e paciência para serem expostas e compreendidas. Daí a tendência das plateias se entusiasmarem com a ideia equivocada e cochilarem enquanto o debatedor a corrige

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Joelmir Beting e as raízes da desigualdade brasileira

Eu tinha pensado em escrever um ou dois posts sobre Joelmir Beting por ocasião de sua morte, mas acabei me ocupando de outros temas, e deixei passar. Agora, vou comentar um artigo em que esse ótimo jornalista econômico fez uma análise sobre as causas da desigualdade de renda no Brasil que, francamente, é até mais científica do que muita coisa que se costuma escrever na academia sobre o tema. 

O texto, publicado originalmente em 1996, começa citando a informação de que o índice de Gini da concentração de renda para o Brasil era de 0,60, conforme dados de 1993. A maior do mundo, conforme um estudo sobre 179 países apresentado no World Outlook, do Banco Mundial. No intuito de esclarecer as razões desse recorde, Beting começa por fazer uma revisão das principais teses usadas pelos acadêmicos para explicar o fenômeno da altíssima desigualdade brasileira, conforme segue:

terça-feira, 7 de maio de 2013

Capitalismo é ecológico quando os consumidores assim desejam, como prova o agronegócio

Um erro fundamental do marxismo e de outras vertentes da teoria social crítica é a tese de que, como a origem do lucro estaria na exploração do trabalho, as decisões dos empresários seriam determinadas pela esfera da produção, de modo que pouco ou nada teriam a ver com as "reais necessidades" da sociedade. Além de ser autoritário e pretensioso julgar-se em posição de saber quais são as "reais necessidades" dos outros, os teóricos e militantes de esquerda erram ao supor que as decisões sobre o quê e como produzir sejam descoladas dos desejos e expectativas dos consumidores. Numa economia competitiva e de mercado, como é a capitalista, ganha mais dinheiro quem for capaz de atender melhor a essas expectativas e desejos, de sorte que são os consumidores que, em última análise, definem quais produtos devem ser produzidos e como deve ocorrer a produção.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Gilberto Freyre, Tomasi di Lampedusa e o poder de contar a história

O sociólogo Gilberto Freyre dedicou seu trabalho de pesquisa mais importante, o livro Casa-Grande & senzala, aos seus quatro avós. O romance O leopardo, de Giuseppe Tomasi, príncipe de Lampedusa, narra a história do Príncipe de Salina, que era avô do autor. Ao comentar esse romance, o historiador Boris Fausto faz uma comparação muito interessante entre os dois autores, ao salientar que ambos pertenceram a famílias que haviam perdido o poder político, mas que conservavam o poder de contar a história.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Neurociência demole construtivismo

Já li várias vezes que o Brasil é o único país do mundo onde o construtivismo é levado a sério e que esse é um dos motivos que explicam a baixa qualidade do nosso ensino. Em vista disso, resolvi compartilhar aqui uma passagem de entrevista concedida pelo neurocientista Stanislas Dehaene, o qual acusa a ineficácia do construtivismo e de outros métodos "globais" de alfabetização. Aliás, embora a entrevista não fale nada sobre o mal chamado "método Paulo Freire de alfabetização de adultos", vale lembrar que este é do tipo global!

Boa leitura!

terça-feira, 23 de abril de 2013

O perfil ideológico dos professores

Trabalho com o conceito de que ideologias são concepções de mundo carregadas de valores e que visam orientar politicamente as ações e a organização da sociedade. Os geógrafos, embora se orgulhem de proclamar que a geografia é uma ciência integradora de conhecimentos e extremamente diversificada nos seus temas e métodos de estudo, mostram-se bastante homogêneos em termos de ideologia: os debates se dão entre diferentes visões de esquerda, e não passa muito disso. 

sábado, 20 de abril de 2013

Ministério Público tem funcionado como aliado objetivo do PT

É bobagem dizer que o Ministério Público Federal - MPF, teve papel importante na condenação dos mensaleiros. O mérito se deve exclusivamente ao Supremo, que mudou sua jurisprudência para poder condenar os réus com o que a peça acusatória oferecia. Isso não quer dizer que o PT controla o MPF, é óbvio. Há promotores que exigem que se dê aos suspeitos desse partido o mesmo tratamento que é dado aos políticos de outras siglas. Mas, no frigir dos ovos, os efeitos das ações e inações do MPF têm beneficiado o PT e, às vezes, prejudicado pessoas inocentes, como Eduardo Jorge. Já tratei disso em outros textos, mas não vou retomá-los agora. Quero apenas reproduzir parte de um artigo que demonstra, sem qualquer dúvida, que o MPF foi implacável com os governos anteriores e, digamos assim, tolerante com os petistas. Boa leitura!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A pisada no tomate foi dupla!

Os dois mandatos presidenciais de FHC foram marcados por uma tensão entre o ministro da Fazenda, Pedro Malan, conhecido por suas ideias liberais, e os economistas de tendências mais intervencionistas que atuavam junto ao governo. Eram esses os casos dos irmãos Luís Carlos e José Roberto Mendonça de Barros, de Lídia Goldenstein e, mais do que todos, de José Serra. 

Serra é um economista de esquerda influenciado pela Cepal (organismo no qual já trabalhou) e, como tal, defende duas teses básicas: a) a competitividade internacional das empresas não depende apenas dos estímulos da livre concorrência, mas também de estímulos criados e controlados pelo Estado; b) o desenvolvimento depende da constituição de um parque industrial expressivo, diversificado e setorialmente integrado.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Agradeço as lições de Margaret Thatcher

Margaret Thatcher se elegeu primeira-ministra do Reino Unido em 1979, quando eu era adolescente, e ficou no cargo até 1990, quando eu estava concluindo a faculdade e já trabalhando como estagiário da Fundação Economia de Campinas - Fecamp. Por conta do que aprendi no ensino médio e também na universidade, tinha uma visão bastante negativa dela à época. Embora em 1990 eu já tivesse rompido com a ideia de socialismo, continuava bastante influenciado pelas teorias utilizadas no Instituto de Economia da Unicamp, as quais se baseiam principalmente em Marx e Keynes, mas também em algumas teses cepalinas, para propor a necessidade de uma forte intervenção do Estado na economia e na distribuição de renda. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Relembrando o "modelo econômico" que era "contra tudo isso que está aí"

O PT atravessou seus vinte primeiros anos se dizendo "contra tudo isso o que está aí" e prometendo mudanças econômicas e sociais profundas. Mas nunca esclareceu qual seria o novo "modelo econômico" que implantaria em substituição a "tudo isso". A falta de clareza tinha causas diferentes em cada ala do partido, mas não vou detalhar isso agora. A ideia aqui é fazer um resumo do que deveria ter sido a política econômica e industrial de um partido "contra tudo isso o que está aí" para então falar das mudanças recentes realizadas por Dilma.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Professores fazem doutrinação por terem sido igualmente doutrinados

Aqui está outro post que escrevi para dar uma resposta mais elaborada a um comentário, o qual foi publicado em Geografia escolar despreza a boa ideia de Yves Lacoste. Vejamos o inicio do comentário:
Não concordo que na maior parte das vezes quem escolhe o livro é o professor. Isso não ocorre nem mesmo nas escolas públicas, onde, EM TESE, o professor escolhe 3 livros e o Estado escolhe o mais viável (barato). Mas na prática, nem isso acontece, mesmo esse processo, em que os livros são pré-selecionados pelo Estado e depois pelo professor, não costuma ocorrer assim. Nas particulares então nem se fala, a maioria já trabalha com seus livros e metodologias, às quais os professores se adaptam, quando não adotam sistemas de ensino apostilado. Nesses escolas, quanto mais conceituadas a tendência é maior, muitas vezes os professores nem tem muita opção de acreditar ou não nas visões distorcidas dos livros, simplesmente não podem descredibilizar o material didático que costuma ser um trunfo das escolas, suas supostas garantias de qualidade.
[...] O seu terceiro parágrafo eu concordo, mas não acho que sejam tantos os professores que defendem o PT tão abertamente.

sábado, 6 de abril de 2013

Steven Pinker e o debate Rousseau versus Hobbes

Li estes dias um excelente artigo de Steven Pinker sobre os condicionantes da agressividade - autor citado na seção de comentários do post Brasil prova que desigualdade não gera violência. Após um preâmbulo sobre o sentido pejorativo que os termos "darwiniano" e "hobbesiano" vieram a adquirir, bem como uma introdução à moderna biologia evolutiva, o texto faz uma síntese da teoria elaborada por Thomas Hobbes em seu clássico Leviatã, de 1651. Nesse livro, Hobbes discute a "natureza do homem" e indica os três estímulos que o levam à violência, quais sejam:
  • Competição: a violência praticada visando algum tipo de ganho, a satisfação de um interesse
  • Difidência: a violência com finalidade de defesa - na época de Hobbes, essa palavra significava mais "medo" do que "segurança"
  • Glória: nas palavras de Hobbes, é a luta motivada "por ninharias, como uma palavra, um sorriso, uma opinião diferente e qualquer outro sinal de desapreço"

terça-feira, 2 de abril de 2013

Arrogância dos professores

Se um professor do ensino fundamental e médio ler a minha tese e argumentar contra as conclusões que estão ali, eu jamais vou responder: "como alguém que nunca fez nem mestrado pode questionar um trabalho de pesquisa em nível de doutorado? Continue na sua sala de aula, gritando com adolescentes espinhentos, e deixe a pesquisa científica para quem entende do assunto". E eu não responderia assim porque isso implicaria lançar mão de um artifício retórico tão odioso quanto rotineiro, que é o argumento de autoridade. Mas os professores do ensino médio não hesitam em desqualificar argumentos desse modo, conforme exemplifica um comentário ao post Vesentini entregou o jogo sem querer, o qual reproduzo abaixo:

sábado, 30 de março de 2013

Geografia escolar despreza a boa ideia de Yves Lacoste

No meio de tanta bobagem esquerdista que escreveu, o geógrafo Yves Lacoste (foto ao lado) brindou-nos com uma crítica bem pertinente à geografia regional clássica: a de que as "regiões" mapeadas por Vidal de La Blache e seus seguidores não eram entidades concretas, tal como eles acreditavam, mas apenas o resultado de um modo específico de dividir a superfície terrestre com base em certos critérios. Por isso, Lacoste acusava o estudo regional clássico de levar as pessoas a acreditar que há uma forma única de dividir o espaço em "regiões", quando o conceito de região é apenas uma "ferramenta de conhecimento" que o pesquisador usa para estudar a "espacialidade diferencial" de cada fenômeno. Seria preciso, então, trabalhar com diversas formas de regionalização do espaço, e explicitar bem a utilidade teórica e política de cada critério de divisão regional utilizado, para chegar a explicações de caráter científico da espacialidade diferencial e para orientar as atividades de planejamento (Lacoste, 1989).

quarta-feira, 27 de março de 2013

Precisamos de um Denys Arcand para filmar as mazelas do Estado brasileiro

O canadense Denys Arcand é uma figura bem difícil de encontrar: um esquerdista que tem autocrítica! Já assisti a dois filmes desse diretor, roteirista e produtor de cinema, ambos com um forte componente autobiográfico, conforme ele esclarece em suas entrevistas. As duas obras fazem uma reflexão sobre o mundo contemporâneo que, mesmo sem abrir mão de uma perspectiva crítica do capitalismo, é muito sincera, e até comovente, ao desnudar as inúmeras frustrações da esquerda intelectual, seja nos campos teórico, político, profissional e até pessoal. 

sábado, 23 de março de 2013

Racialismo tenta apartar brancos, negros e pardos, mas é difícil

Comentei no post O Haiti não é aqui que, se nunca houve políticas de segregação racial no Brasil, foi devido à nossa forte miscigenação. E é óbvio que essa miscigenação só é possível graças à convivência de brancos e negros nos locais de trabalho, de moradia e, o que é mais importante, nos mesmos círculos de amizade. Mas o mundo dá muitas voltas, e quem tenta separar brancos, pretos e pardos, hoje, são os racialistas, ou seja, aqueles que insistem em ver o Brasil como um país clivado pelo racismo e que, no intuito de combater esse mal, agem de forma racista! A ironia disso é que, assim como teria sido muito difícil e imprudente segregar as pessoas com base em critérios raciais num país miscigenado, também não é fácil valorizar a cultura negra como se os brancos estivessem excluídos dela. É o que mostra um texto que Reinaldo Azevedo escreveu sobre a discriminação racial na Funarte, o qual reproduzo abaixo.

Boa leitura!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Cabeça de sindicalista

Faz alguns anos, eu estava conversando com um professor que também atua na gestão de um sindicato dessa categoria e flagrei um, como direi?, paradoxo muito revelador. Ele começou malhando os cursos de pós-graduação à distância, que, segundo ele, são de baixa qualidade, ou até picaretagem mesmo. Não acho que seja justo falar como se todos os cursos à distância fossem ruins, mas é certo que a qualidade de muitas dessas pós-graduações à distância (e não só as particulares, como também as públicas) merece ser questionada mesmo. Mas o interessante foi que, mais para o final da conversa, quando já estávamos falando de outros assuntos, ele contou que muitos professores do Paraná fizeram cursos de pós-graduação à distância cujos diplomas não são reconhecidos pelo MEC, o que os levou a solicitar ao sindicato que entrasse na Justiça para forçar o MEC a reconhecer tais diplomas. Veio então o comentário, feito com um sorriso meio amarelo: "é, eu mesmo sou contra esses cursos, mas sindicato tem que defender os interesses dos associados; então, já que eles pediram...". 

sábado, 16 de março de 2013

Cota social pune os pobres que realmente merecem entrar para a universidade

O fator mais importante para o ingresso de pessoas de origem pobre nas universidades é a disposição das famílias para investir em educação, mesmo que isso implique fazer pesados sacrifícios para poupar dinheiro, e cobrar dos filhos resultados na escola.

Como já escreveu Claudio de Moura Castro, os descendentes de japoneses representam só 0,5% da população brasileira, mas chegam a ocupar cerca de 20% das vagas em alguns dos cursos mais procurados das universidades, especialmente na área tecnológica. Os asiáticos conferem uma importância extrema à educação e, por isso, fazem sacrifícios para que seus filhos estudem em boas escolas privadas e exigem deles uma dedicação à altura do investimento. Não é à toa que os dados dos Censos Demográficos e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD, demonstram que os amarelos têm mais anos de estudo do que os brancos e, por isso, recebem salários bem mais altos (ver aqui). 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Capitalismo é a melhor solução para a fome, mas os marxistas não querem ver

A geografia tradicional é sempre muito acusada, inclusive pelos geocríticos, de ser puramente empirista, descritivista. Sendo assim, os geógrafos críticos, supostamente, deveriam interpretar as informações empíricas com base num referencial teórico-metodológico rigoroso, de maneira a elaborar e provar teorias científicas. Mas a realidade é bem outra. Tal qual a maioria dos marxistas, os geocríticos se enxergam como intelectuais militantes e, assim, procedem como os criacionistas: selecionam e produzem informações empíricas conforme for necessário para dar uma aparência de comprovação a teses estabelecidas de antemão pelo pesquisador (ver aqui).

sexta-feira, 8 de março de 2013

O Haiti não é aqui

Durante o mestrado, pesquisei as obras de vários intelectuais brasileiros que, das décadas de 1920 a 1940, tiveram importância como precursores das ciências sociais brasileiras e/ou influência na política nacional, entre os quais estavam Azevedo Amaral e Oliveira Vianna. Faziam parte do que se pode chamar "pensadores autoritários brasileiros", grupo que pensava o Brasil com o objetivo de identificar as causas do nosso "atraso" e de propor soluções que passariam pela instauração de um Estado forte, como foi a ditadura Vargas. Nesse sentido, uma ideia comum a esses autores citados, bem como à maioria dos intelectuais da época, era a de que grande parte do "atraso" brasileiro em relação à Europa se devia à suposta inferioridade de negros, índios e mestiços (Diniz Filho, 2002). E a força dessa visão nos meios intelectuais do país extrapolava o universo do pensamento autoritário - como se vê na obra de Sérgio Buarque de Hollanda - e alcançava até os livros didáticos de geografia, conforme comentei aqui.

terça-feira, 5 de março de 2013

Millôr usou Sófocles para atirar em Collor e acertou Dirceu em cheio!

O livro O humor nos tempos do Collor (L&PM, 1992) traz uma coletânea de textos de Millôr Fernandes, Jô Soares e de Luís Fernando Veríssimo sobre o governo desse presidente que, pela primeira vez na história brasileira, foi apeado do cargo por vias rigorosamente constitucionais. O texto de que eu mais gosto nesse livro não é humorístico, porém. Trata-se de Antígona, de Sófocles, no qual Millôr reproduz uma passagem dessa famosa peça teatral.

sábado, 2 de março de 2013

Viúvas e petralhas diante da corrupção sistêmica

Um leitor pediu que eu avaliasse, na área de comentários do post Dez anos de imposturas intelectuais e imprensa dependente, um texto publicado no Facebook. É um texto que só pode ter sido escrito por uma viúva da revolução ou por um petralha. A resposta ficaria muito longa, então achei melhor escrever um post. Vejamos o início do comentário: 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Jornalista faz desagravo a Paulo Freire e acaba me dando razão!

Saiu na Gazeta do Povo um artigo meu com críticas à Paulo Freire (ver aqui), o qual é uma versão resumida do post Paulo Freire fazia "educação bancária" ideologizada(*). Um agrônomo e jornalista profissional chamado Valdir Izidoro Silveira resolveu então fazer um "desagravo" a esse autor, e escreveu um texto que merece minha resposta por demonstrar muito bem a desonestidade e fragilidade dos argumentos usados pelos admiradores de Freire. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Brasil prova que desigualdade não gera violência

Um dogma repetido à exaustão por jornalistas e acadêmicos com orientação ideológica de esquerda é o de que pobreza e desigualdade são as causas principais da violência. Alguns, como Marcelo Lopes de Souza, até usam uma retórica malandra para relativizar essa relação de causa e efeito que eles estabelecem a partir de pressupostos puramente ideológicos, mas a conclusão final de seus escritos vai sempre na direção de priorizar o combate à desigualdade como forma de reduzir a violência (ver aqui).

Ora, mas o Brasil é justamente a prova de que essa causalidade não tem comprovação empírica. Desde o Plano Real, o salário mínimo subiu muito acima da inflação - ganho real de 75% só no período de 1995 a 2004 -, milhões de pessoas saíram da pobreza e ainda houve uma rápida diminuição da desigualdade de renda (Néri, 2006). O gráfico abaixo mostra isso claramente, pois houve queda da desigualdade dos rendimentos do trabalho de 1995 em diante e, a partir de 2001, declinou também a desigualdade medida pela renda domiciliar per capita - RDPC. 


Fonte: HOFFMAN, 2006

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ataque do governo a Yoani Sánchez é para atender às viúvas da revolução

A participação de um funcionário do governo federal na elaboração do dossiê difamatório contra a blogueira Yoani Sánchez (dossiê que será distribuído por petistas) pode parecer, à primeira vista, um reflexo do histórico alinhamento ideológico do PT ao socialismo e de sua incapacidade de rever velhos dogmas. Mas não é bem assim. A primeira grande lição a tirar do estelionato eleitoral iniciado com a chegada de Lula ao poder é que, ao contrário do que se pensava até então, o PT sempre foi bem menos ideológico do que parecia. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A geografia rural crítica é mais anacrônica do que a geografia tradicional

Em seu ataque demolidor à geografia de Vidal de La Blache, Yves Lacoste, um dos pioneiros na construção da geografia crítica ou radical, começa por acusar o anacronismo dos estudos desse autor. Segundo ele, o estudo regional lablacheano passava ao largo dos processos de industrialização e urbanização para se concentrarem na descrição de paisagens rurais. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dez anos de imposturas intelectuais e jornalismo dependente

Para pôr as respostas aos comentários em dia, aqui vão algumas considerações sobre um texto para lá de falseador que foi publicado pelo economista João Sicsú, que trabalhou no Ipea durante as gestões petistas, no site da revista Carta Capital (ver aqui). Esse link foi indicado por um leitor em comentário ao post Para citar Che Guevara, o qual me pediu para fazer uma avaliação do artigo. Vamos lá, então!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Chaplin era de esquerda, mas não jogo tomate nele

Neste feriadão, vou responder a um comentário feito ao post Festival Charles Chaplin nas férias, conforme segue:
Achei excelente a sua crítica do filme  [Monsieur Verdoux], sendo que recomendo que se conheça a história de Henri Désiré Landru, assassino base para Chaplin compor seu personagem.
Quanto a filmografia de tal ator, gostaria de saber a sua opinião sobre o uso do filme "Tempos Modernos", assim como sua noção quanto este contexto e sua interpretação ideológica.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Para citar Che Guevara



A todos aqueles que, assim como eu, não aguentam mais ver frases de Che Guevara servindo de epígrafe para trabalhos acadêmicos, palestras e discursos de estudantes, ofereço uma pequena coletânea de citações que servem de antídoto. Todas elas foram extraídas do Guia politicamente incorreto da América Latina, de Leandro Narloch e Duda Teixeira (Leya, 2011), mas as referências são dos textos originais citados pelos autores.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre "Egoísmo racional: o individualismo de Ayn Rand"

Faz um tempo que estou para comentar o livro Egoísmo racional: o individualismo de Ayn Rand, do economista Rodrigo Constantino (Documenta Histórica, 2007). O autor faz um resumo introdutório da obra dessa novelista russa que se celebrizou pela defesa apaixonada de ideias liberais, mas, logo no início, adverte que o livro representa as ideias dele, "não necessariamente em total acordo com o que Ayn Rand pensaria". O problema é que Constantino não explica, ao longo do livro, quais passagens podem estar em desacordo parcial com Rand, de sorte que o leitor fica na dúvida se as concordâncias ou discordâncias que ele tiver em relação ao conteúdo se referem ao pensamento do autor ou das obras que ele resume e comenta. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Mensalão: estão caindo na armadilha do MPF

Com as condenações dos integrantes do núcleo político da quadrilha do mensalão, vieram as comemorações entusiasmadas, os elogios rasgados (e merecidos) a Joaquim Barbosa, e o discurso de que o país mudou. Não acho que houve mudança no que diz respeito à impunidade de criminosos políticos descarados, mas apenas a revelação de que, no governo Lula, a corrupção não só assumiu um caráter sistêmico como também atingiu dimensões tão gigantescas que não seria possível deixar Dirceu e caterva completamente impunes, conforme queriam Lula, Dilma e todo o resto do PT e da "base alugada". De fato, embora o STF tenha mostrado que a impunidade não poderia ser total, como em tantos outros casos, continuou valendo a lógica de autodefesa de um sistema político carcomido pela corrupção: Collor foi punido porque era um outsider do sistema, enquanto Lula não foi nem investigado pela CPMI "dos correiros" porque o PT faz parte do próprio sistema (ver aqui).

sábado, 26 de janeiro de 2013

Paulo Freire fazia "educação bancária" ideologizada

Saiu um artigo na Gazeta do Povo (ver aqui) com mais uma batelada desses chavões que os seguidores de Paulo Freire usam para nos fazer acreditar que esse sujeito era um educador preocupado com liberdade e autonomia do indivíduo, quando ele não passava de um doutrinador ideológico dogmático e autoritário (mas de fala mansa). A autora, Adriana Brum, diz que "Paulo Freire (1921-1997) defendia uma educação assumidamente ideológica". É a mais absoluta verdade. Depois, explica como a ideologia de Freire era trabalhada com os alunos dele.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Transposição do São Francisco prova que geógrafos não têm ideias próprias


Já no ensino médio, quando tomei contato com a geografia crítica, os professores dessa disciplina repetiam o mantra de que o problema do Nordeste não é a seca, mas a estrutura fundiária e a pouca industrialização. O mesmo discurso era repetido pelos geógrafos na universidade, que se baseavam em duas fontes principais para chegarem a tal conclusão. A primeira delas eram as críticas da geografia marxista ao determinismo ambiental, que seria nada mais do que uma ideologia usada pelas classes dominantes para mascarar a verdadeira origem dos problemas sociais e ambientais. A segunda fonte eram os diagnósticos elaborados por Celso Furtado, já na década de 1950, para dar base às políticas de desenvolvimento do Nordeste. Foi a partir da fundação da Sudene, pois, que os economistas preocupados com o "problema do Nordeste" colocaram em segundo plano a necessidade de obras contra a seca, pois asseguravam que o desenvolvimento regional só seria alcançado mediante políticas de incentivos ficais, concessão de crédito para investimentos produtivos e políticas de distribuição de terras, entre outras.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Viagem à Brasília confirma críticas a Niemeyer

Farei um último comentário sobre a obra de Niemeyer, agora com base na primeira vez em que estive em Brasília, nos anos 90, a fim de coletar material bibliográfico para o meu doutorado. Passei uma manhã na biblioteca do Ipea e, quando deu meio-dia, uma das faxineiras pediu que os usuários se retirassem até as 14:00 horas, pois elas iriam lavar o chão. Almocei rápido num restaurante por quilo que havia logo em frente, e comecei a pensar no que faria para passar o tempo até a hora de retornar para a biblioteca. Foi então que eu vi a Catedral de Brasília a uma certa distância e resolvi fazer uma visita ao local.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Festival Charles Chaplin nas férias

Quando não existia TV por assinatura, a Rede Globo exibia, vez por outra, o Festival Charles Chaplin, isto é, uma sequência de filmes desse ator, diretor, roteirista e compositor, um por dia, durante mais ou menos uma semana. Até onde eu sei, já faz um bom tempo que isso não acontece mais na TV aberta, de sorte que os filmes de Chaplin continuam sendo exibidos em canais como o Telecine Cult. Não tenho esse canal no meu pacote, mas, graças ao DVD (que vai sendo substituído pela internet), tirei umas tardes das minhas férias para fazer um Festival familiar desse artista.

Sim, ele merecia a fama de gênio do cinema, independentemente de concordarmos com suas ideias políticas ou não. Consagrou-se como artista ainda na fase do cinema mudo, e hesitou muito em fazer filmes falados. Olhando em retrospecto, soa despropositado o temor que ele tinha de que o fim do cinema mudo anulasse o seu diferencial como artista, pois ele soube muito bem superar seu personagem Carlitos (embora sem deixar de fazer menções mais ou menos diretas a ele em seus filmes falados), e é muito nítido nesses filmes que Chaplin sabia elaborar discursos e diálogos excelentes.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Niemeyer apanhava da esquerda marxista e também da não-marxista

Vejamos aqui um comentário muito pertinente de Anselmo Heidrich ao post "Oscar Niemeyer é um déspota":
Dois anos antes de ser inaugurada, a poetiza americana E. Bishop visitou Brasília e se surpreendeu com a secura e desolação do local. Ela estava antevendo como seria a cidade. Também já li que Brasília é "a última cidade medieval do mundo" ou "a cidade medieval mais moderna do mundo", algo assim, devido ao princípio de isolamento do público. De acordo com Vesentini em seu A Capital da Geopolítica, ela foi realmente pensada para apartar: os próprios pontos de ônibus são distantes uns dos outros para evitar aglomerações. E não precisamos ser experts no assunto para perceber porque aqueles prédios só devem funcionar em clima seco, como é de fato o Planalto Central, pois quando chove há muita infiltração; suas paredes envidraçadas também funcionam como estufas onde o uso de ar condicionado permanente se faz obrigatório. Tudo bem "ecológico", que nossos críticos politicamente corretos esqueceram de comentar. Niemeyer, como admirador do vulgo Le Corbusier, quem dizia que "a arquitetura serve para disciplinar", não poderia deixar de pensar algo como espetáculo de concreto: é uma obra que não dialoga com o cidadão, apenas expõe para o mesmo. Se há um sentido naquilo, mais parece ser o de um cemitério vivo.