segunda-feira, 20 de maio de 2013

Marilena Chaui acusa a classe média de ser o que o PT é

Quando eu entrei na universidade, já me dizia marxista - também, pudera!, tudo o que minhas professoras de história e de geografia do ensino médio me ensinaram foram teorias marxistas. Daí que, ao tomar contato com as ideias de Marilena Chaui, minha primeira impressão foi positiva. Quem começou a desfazê-la, já na graduação, foi Antonio Carlos Robert de Moraes, meu professor e orientador de iniciação científica e de mestrado. Embora ele também fosse marxista, alertava que as pessoas não se davam conta de que existem duas Marilenas Chaui: uma é a filósofa da USP que se dedicava a escrever calhamaços sobre Espinosa; a outra é a militante petista que participa do debate político nacional. A primeira é uma intelectual competente, mas a segunda se alinha com tudo o que o marxismo já produziu de mais simplificador e obscurantista.


O tempo só provou que ele tinha toda a razão. A cada dia que passa, mais essa senhora se revela uma caricatura perfeita do intelectual engajado, isto é, daquele tipo de intelectual para quem não existe neutralidade política no ensino e na pesquisa científica e que, por isso mesmo, não vê problema nenhum em apelar para todo tipo de mentira, preconceito e de manipulação de emoções para fazer triunfar as ideologias em que ele acredita. Isso ficou claro quando Chaui aceitou o estelionato eleitoral do PT sem dar um pio e escancarou-se quando ela saiu a gritar que o mensalão foi uma farsa montada pela imprensa golpista.

Mas, como se tudo isso já não fosse mais do que suficiente para vermos até onde pode descer um intelectual descompromissado com a objetividade do pensamento, ela ainda nos brindou com mais uma demonstração bizarra ao proferir uma palestra sobre o lançamento do livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma, organizado por Emir Sader (ver aqui). Após um preâmbulo sobre o conceito marxista de classe social, eis que ela vomitou o seguinte:
E por que é que eu defendo esse ponto de vista? Não é só por razões teóricas e políticas. É porque eu odeio a classe média. A classe média é o atraso de vida, a classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante… terrorista.
A classe média é uma abominação política [risos da platéia], porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante. Fim.
Já se disse que os leninistas usavam deliberadamente a tática de acusar os outros de fazer o que eles faziam. Bem, tudo de que Chaui acusa a classe média cabe melhor como acusação aos militantes do PT e dos "movimentos sociais" que dividem com esse partido o butim do Estado. Vejamos:
  • Reacionarismo: Os políticos a quem o PT se alia preferencialmente são aqueles reconhecidamente reacionários, no sentido de que mantém o Estado brasileiro prisioneiro de velhas práticas de aparelhamento: Maluf, Collor, Barbalho, Sarney, Calheiros, etc. E o PT pratica o aparelhamento com muito mais gana e profissionalismo do que esses seus aliados preferenciais, demonstrando ser, nesse sentido preciso, o mais reacionário dos partidos.
  • Violência: Muitos militantes do PT e seus aliados nos "movimentos sociais" fazem uso da violência. Petistas agrediram Mário Covas fisicamente meses antes de ele morrer de câncer. Na época, José Dirceu declarou em comício que "os tucanos têm de apanhar nas urnas e nas ruas" (sic!).  José Serra também já foi agredido por petistas. E os métodos violentos do MST dispensam comentários. Aliás, os governos petistas são lenientes com a violência dos pseudo-movimentos de "luta pela terra", o que fez explodir os conflitos no campo.
  • Terrorismo: Diversos integrantes do PT já foram terroristas, a começar por Dilma Rousseff. E o partido continua tendo uma visão favorável do terrorismo, conforme se viu quando Lula salvou a pele do assassino Cesare Battisti.
  • Fascismo: O discurso nazi-fascista é sempre um discurso de ódio. No caso dos nazistas, o alvo principal eram os judeus, mas sobrou igualmente para ciganos, homossexuais, e inúmeros outros grupos. Chaui revelou que sua visão de classe não é feita apenas de reflexões teóricas e políticas, mas também do mais puro ódio.
  • Ignorância: Ela diz que a classe média é ignorante, mas Lula não fez outra coisa na vida além de glorificar sua própria falta de estudo. E Marilena Chaui, com aquela sua crítica à "ideologia do discurso competente", acabou dando força à ideia de que um ignorante imbuído de ideologia é melhor do que um técnico. 
  • Abominação política: A propaganda nazista baseava-se na máxima de que era preciso mentir repetidamente até que a mentira virasse verdade. A propaganda petista é exatamente assim, conforme já demonstrei em outros posts (ver abaixo).
Enfim, os adjetivos que Marilena Chaui usa para vilipendiar a classe média são a mais pura demonstração de preconceito, já que ela não apresentou evidência alguma para provar que existe uma categoria social que, simplesmente por ser o que é, pensa e se comporta do modo como ela descreveu. Trata-se aí de uma teoria da luta de classes nutrida de preconceito e que dá a este uma justificativa falsamente científica, exatamente como ocorre com as teorias racistas - até o sentimento de ódio é igual. Ver a respeito o excelente texto de Flávio Morgenstern sobre o conceito marxista de classe social e a fala hidrófoba de Chaui. 

Por outro lado, se quisermos demonstrar que os petistas e seus aliados nos "movimentos sociais" exibem práticas e discursos que se assemelham aos do fascismo e do comunismo, não é difícil encontrar exemplos concretos para embasar a avaliação, conforme visto. E que se note: militar no PT ou num "movimento social" qualquer é uma escolha individual, não uma condição. Avaliações embasadas em fatos e que tratam de grupos que se organizam voluntariamente em prol de certas bandeiras nada têm de preconceituoso. A maior abominação política do Brasil é o PT.

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