segunda-feira, 3 de abril de 2017

Temer: impopularidade merecida, ainda que pelos motivos errados

Reinaldo Azevedo escreveu um texto sobre as pesquisas que mostram a péssima avaliação que os eleitores fazem da gestão Michel Temer. Concordo com algumas coisas, mas discordo de outras. Concordo que o governo Temer é muito melhor do que o de Dilma e que ele já fez mudanças importantes e positivas cujos frutos vamos colher adiante, como a lei do teto de gastos, a reforma do ensino médio e a lei das terceirizações. Mas é falso dizer que Temer não tem nenhuma responsabilidade na crise econômica atual e que representa uma força modernizadora.

Ora, se José Alencar, mesmo sendo vice de Lula, vivia a reclamar dos juros altos, bem que Michel Temer poderia ter usado seu cargo de vice para reclamar da gastança de Dilma. Nunca fez isso. E quem cala consente! Tanto que ele até ajudou Dilma a se reeleger, confirmando assim sua aposta na presidente cujas cretinices nos levaram para o buraco.

E ele é bom por estar destravando reformas que já deveriam ter sido feitas há muito tempo, mas nas quais o PT não mexeu? Bem, se Temer e o resto do PMDB fossem comprometidos com reformas modernizadoras, teriam apoiado o PSDB nas últimas eleições presidenciais. Por que preferiram o PT? Porque Temer está muito bem acomodado numa agremiação que, sem ideologia e sem programa, consiste apenas numa bancada de parasitas do Estado. Ou seja, o PMDB é formado por um bando de políticos fisiológicos que só querem saber de participar de qualquer governo com o fim de se darem bem ocupando cargos de confiança - e não estou necessariamente falando de corrupção, embora isso também esteja presente em muitos casos.

Ou seja, Temer e o resto do PMDB são forças políticas reacionárias que só apoiam reformas modernizadoras mais profundas quando a gastança pública e as irracionalidades da máquina estatal de que eles se servem levam a economia à breca. Foi assim quando o PMDB integrou a base de apoio de FHC. Mas, na metade do segundo mandato desse presidente, quando ficou claro que a estabilidade econômica tinha vindo para ficar, o PMDB retirou seu apoio às reformas e, depois, correu a apoiar o PT nas eleições. Afinal, o PT investe no gigantismo do Estado e, por isso mesmo, é muito mais conveniente para os interesses dos peemedebistas.

Temer e o PMDB têm muita e muita culpa pela crise econômica e pelo atraso nas reformas. E, se agora cabe a Temer consertar o estrago que ele ajudou a fazer, é apenas porque Dilma caiu antes do fim do mandato. Se dependesse dele, Dilma teria ficado até o fim! Ele só se voltou contra sua aliada depois de um ano de crise econômica e política devastadora, quando finalmente se convenceu de que as multidões não iriam parar de exigir o impeachment e que a base de apoio ao governo Dilma/Temer não cessaria de derreter enquanto ela não caísse fora.

Portanto, dizer que a população está sendo injusta com Temer, como quer Azevedo, é só parcialmente correto. O presidente não merece ser odiado por estar fazendo as reformas, mas merece, sim, e muito, ser rejeitado por sua participação nos governos petistas que retardaram as reformas e que ainda fabricaram a crise econômica atual.

Ah, e Azevedo diz também que o governo Temer está sendo prejudicado porque o partido dele tem muitos investigados. Bem, não custa lembrar que ninguém nunca obrigou Temer a estar tanto tempo nessa bancada de parasitas do Estado, certo? A opção partidária de Temer cobra seu preço na forma de instabilidade política, então é justo que caia na conta da popularidade dele.

EM TEMPO

Duas notas de Felipe Moura Brasil sobre Temer:
- Michel Temer assinou na quinta-feira (30) a nomeação de Admar Gonzaga para o posto do ministro do TSE Henrique Neves, cujo mandato se encerra em 16 de abril.
- Admar Gonzaga foi advogado da chapa Dilma-Temer de 2010. Agora vai julgar a cassação da chapa Dilma-Temer de 2014. Ele rechaçou ter vínculo com o atual presidente. Como se ter trabalhado para sua chapa não o fosse.
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sexta-feira, 31 de março de 2017

Agora vou debater também no Facebook. Paciência...

Há muito tempo as pessoas que conheço e/ou que acompanham meu blog me sugeriam entrar no Facebook. Mas sempre resisti a essa ideia porque o Facebook gera um fluxo de informação constante, de modo que as pessoas tendem a perder muito tempo com isso. Resolvi entrar agora porque ando sofrendo ataques nas redes sociais, e o blog não é adequado para ficar respondendo toda hora a sei lá quantos comentários que me citam negativamente.

Mais especificamente, estou me referindo aos comentários que a professora Mônica Ribeiro da Silva, da UFPR, vem fazendo sobre mim nessa rede. A história é simples e curta: participei de um debate com essa professora recentemente e, depois, apresentei minhas críticas às ideias dela aqui no blog (Cf.: Professora da UFPR defende ensino doutrinador, mas diz que doutrinação não existe).

Bom, se os comentários dela ao meu post fossem argumentativos, eu responderia publicando outro post no blog mesmo, e ponto final na história. O problema é que, em vez de apresentar uma argumentação, ela afirma que eu é que não tenho argumentos e me acusa de estar fazendo uma "campanha" (sic) de desqualificação pessoal e profissional contra ela! E ainda mente dizendo que eu faço perseguição contra "alunos" (sic), principalmente "aqueles" que participaram das invasões do ano passado!

Diante disso, achei melhor manter o blog reservado para publicar o mesmo tipo de texto que eu publico sempre e responder a ela no próprio ambiente com o qual ela parece estar mais à vontade, ambiente esse que, no Brasil e no mundo, tem se mostrado ideal para a propagação da mentira e da desinformação.

Quem quiser ler o que a professora escreveu sobre mim e a resposta que dei, é só clicar aqui.

terça-feira, 14 de março de 2017

Professora da UFPR defende ensino doutrinador, mas diz que doutrinação não existe

Na última sexta, aconteceu no Departamento de Geografia da UFPR um "debate-ação" (sic) com o tema A reforma do ensino médio na Geografia: enfrentando a desinformação e o descaso. Como é de praxe nos eventos de Geografia, os três debatedores convidados tinham as mesmas opiniões sobre o tema, informadas por teorias e ideologias de esquerda radicais. Então, só houve debate durante a sessão de perguntas que se seguiu às exposições porque eu participei do evento, visto que, a julgar pelas perguntas não dirigidas a mim, ninguém discordou de nada!


quinta-feira, 9 de março de 2017

Doutrinação: a escola serve para ensinar quais leis são "boas" e quais não são?

Quem pesquisa no Google a expressão "escola sem partido" vê logo de cara um link que é anúncio pago, possivelmente, por sindicatos de professores. Afinal de contas, o link remete a um texto totalmente contrário ao Projeto de Lei apelidado de "Escola Sem Partido". De outro lado, não há nenhum anúncio pago no Google para dar destaque aos textos favoráveis a esse PL ou, pelo menos, ao diagnóstico de que o problema da doutrinação no ensino existe, é grave e precisa ser enfrentado. Ainda assim, os sindicatos de professores sempre gostam de posar de vítimas do poder econômico...

Ironias à parte, o fato é que o artigo de Caio Zinet apresenta as refutações de especialistas em educação contra o site Escola Sem Partido e o PL citado. Neste post, vou tratar da primeira refutação, que é a seguinte:
Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito a Educação, Daniel Cara, a neutralidade absoluta é impossível de ser atingida. "Não é possível (ser neutro) porque qualquer tema que se aborde leva um juízo de valor do professor, o que é importante. O que ele não pode fazer é limitar a aula a seu juízo de valor. Determinar a neutralidade política numa lei é um equivoco absoluto", afirmou (Zinet, 2016).

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Supremo fez bem em determinar indenização de presidiários

Já escrevi um tanto contra esses intelectuais e jornalistas de esquerda que pensam no criminoso como uma vítima do capitalismo que deve ser poupada da cadeia tanto quanto possível. Mas isso não quer dizer que eu concordo com essa direita primitiva brasileira, que defende execução de criminosos e até se regozija em saber que nossos presídios são insalubres como calabouços e lugar de sevícias e torturas.

Mas não vou gastar tempo explicando a essa direita questões elementares de valor e de cidadania. Vou apenas explicar que a decisão do STF de indenizar os presos em condições degradantes foi a melhor dentre as alternativas possíveis, que eram três:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Doutrinação: professor Luan Pablo Rosa usa argumentos desonestos ao tratar do tema

O professor Luan Pablo Rosa fala grosso e se faz de defensor intransigente da liberdade de ensinar quando quer atacar o Projeto de Lei "Escola Sem Partido", mas fica mansinho e se posiciona de forma ambígua e contraditória quando se trata dos piqueteiros da UFPR, universidade em que ele estuda. É uma clara demonstração de hipocrisia. Não bastasse isso, seus argumentos contra a minha fala na audiência pública da Câmara que tratou do PL citado são intelectualmente desonestos.

Para quem ainda não sabe, esse Projeto de Lei nasceu da preocupação de informar aos estudantes que o professor não tem o direito de se aproveitar de uma plateia cativa, que são seus alunos, para induzi-los a ter as mesmas ideias políticas do professor. Daí a proposta de elaborar uma lista de Deveres do Professor relacionados ao respeito pela liberdade de aprender dos estudantes. Ao participar da última audiência pública da Câmara que discutiu o tema, fiz uma exposição com o objetivo de demonstrar que o problema da doutrinação existe e é muito sério.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Professor Luan Pablo Rosa faz ataque hipócrita ao Escola Sem Partido

Participei recentemente de mais uma audiência na Câmara dos Deputados para debater o Projeto de Lei apelidado de "Escola Sem Partido". Um professor que também é aluno de Geografia da UFPR fez uma postagem no Grupo Geografia UFPR, do Facebook, com o seguinte ataque ao projeto:
EU EDUCADOR/PROFESSOR NÃO ACEITO SER AMORDAÇADO, assim cerceado do direito livre e constitucional da prática docente, imposta nesta PL como uma clara restrição arbitrária da liberdade de ensinar que apenas prejudica os alunos, limitando o debate sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação sexual, moral e religiosa.
Quanta indignação! Quanta coragem na defesa da liberdade de ensinar! Quem lê esse texto jamais imaginaria que o professor Luan é bastante indulgente quando se trata de piquetes na universidade, ou seja, que ele não vê nenhum problema sério no fato de uns poucos baderneiros impedirem certos professores de exercer a liberdade de ensinar (e em prejuízo daquela maioria de alunos que não aderiu à paralisação estudantil) por meio de intimidação física!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mais da metade dos "grevistas" reprovou por não ter entregue os trabalhos!

Os cerca de 50 alunos da minha disciplina que não aderiram à paralisação estudantil do final de 2016 fizeram as provas (dentro das condições possíveis, tendo em vista os piquetes) e praticamente todos foram aprovados. No caso dos 15 pseudo-grevistas que solicitaram reposição de aulas, também era bem fácil passar. Conforme o plano de reposição aprovado no Colegiado de Curso de Graduação, bastaria entregarem cinco resenhas de cinco textos com temas pertinentes ao conteúdo ministrado no semestre. Ou seja, tiveram quase o mês de janeiro todo livre para fazer 5 trabalhinhos fáceis e que não demandavam mais do que umas poucas horas de esforço cada um. Mesmo assim, dos 15 "grevistas", 8 não entregaram nem uma resenha sequer!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Revista Galileu faz péssimo dossiê sobre a crise nos presídios

A revista Galileu já foi boa; hoje, é um lixo. Uma demonstração disso é o "Dossiê Prisões" (Tanji, 2016), matéria do mês passado que nada tem de divulgação científica e que, ainda por cima, reproduz informações estatísticas falseadoras e dogmas ideológicos disfarçados de ciência. 

Com efeito, a ideia central do dossiê é que o problema prisional brasileiro se deve ao suposto fato de que o Estado não investe o suficiente em programas sociais e pratica uma política intensiva de encarceramento de pessoas, combinação essa que só levaria a mais violência e injustiça. Mas tal conclusão, que é um dos dogmas sagrados da esquerda, está errada por muitas razões. Vejamos três delas:

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A "geografia cidadã", nova moda no ensino de geografia, nasceu da geocrítica

Acabei de responder a uma pequena entrevista por e-mail com uma aluna de geografia que está elaborando uma monografia sobre a chamada "geografia cidadã". Uma das questões era sobre o possível conteúdo doutrinador dessa nova proposta de ensino de geografia. Minha resposta é que, de fato, a geografia cidadã reproduz as práticas doutrinadoras próprias da geografia crítica escolar, podendo até ser considerada uma reedição desta última com um rótulo diferente.

De fato, uma característica da geografia crítica escolar é reciclar velhas ideias com novos rótulos, conforme eu comento no livro Por uma crítica da geografia crítica (Diniz Filho, 2013, Localização 177). No caso em questão, vemos que as ideias que dão base à geografia cidadã começaram a ser elaboradas há mais de vinte anos por geógrafos cuja visão de geografia e de ensino são totalmente definidas pela geocrítica.