terça-feira, 20 de junho de 2017

Reportagem da Galileu sobre Paulo Freire é enviesada

A revista Galileu faz proselitismo ideológico disfarçado de divulgação científica - com direito até à divulgação de manipulações estatísticas produzidas pelo governo Dilma. Quando fiquei sabendo que a publicação iria fazer uma matéria sobre Paulo Freire, logo previ que esta seria enviesada. Não deu outra!

A matéria ocupa seis páginas e, embora afirme que o legado de Freire é "defendido por uns e odiado por outros" (sic), não deu praticamente nenhum espaço para as críticas ao método que ele supostamente inventou. Num dado momento, reproduz brevemente a crítica jurídica de Miguel Nagib, coordenador do Escola Sem Partido, de que a aplicação de algumas ideias freirianas "viola a liberdade dos alunos e a neutralidade política e ideológica do Estado" (citado por Souza, 2017, p. 49). Depois, a matéria afirma que, em 2016, o verbete sobre Paulo Freire na Wikipedia foi "alterado com informações incorretas", mas não explica o que haveria de incorreto nas críticas que o texto fez às ideias do autor. Ao invés de discutir as críticas, limitou-se a informar que as edições no verbete foram feitas, segundo a Serpro, "em um órgão público federal cujo nome não pode ser divulgado por questões contratuais" (idem, p. 50).

Ou seja, o artigo não discute as críticas e lança suspeitas sobre a edição do verbete por conta do anonimato do autor e do órgão público federal em cujo computador a edição foi efetuada. Mas então por que a reportagem não ignorou a edição do verbete e foi buscar críticas acadêmicas à obra de Paulo Freire, como aquelas de Bráulio Porto de Mattos, David Vieira e Sol Stern? Ora, porque a Galileu só se preocupa em fazer proselitismo esquerdista, não em informar o leitor sobre os debates científicos; logo, nada mais conveniente do que reproduzir as críticas advindas de fontes facilmente descartáveis, pois assim cria-se a impressão de que os freirianos são vítimas de perseguição política.

De fato, se a a revista tivesse a preocupação de mostrar seriamente o outro lado do debate, teria de apresentar as seguintes críticas às ideias freirianas, entre outras:

Nesse sentido, cabe fazer à Galileu críticas semelhantes àquelas que eu faço aos doutrinadores que seguem as ideias de Paulo Freire: elaboração de conteúdos unilaterais e com vistas a levar o leitor ou o aluno a crer que a mensagem política da revista ou do professor é uma verdade científica. A grande diferença está em que ninguém é obrigado a comprar e ler a Galileu, mas os estudantes são forçados a assistir aulas com professores que trocam ensino por proselitismo. É a isso que Miguel Nagib se refere quando afirma, corretamente, que a doutrinação viola a liberdade de aprender e a necessária neutralidade política e ideológica do Estado.

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FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed., Rio de Janeiro: Paz & Terra, (Coleção O Mundo, Hoje, v. 21), 1987.

SOUZA, M. Ao mestre, com carinho? Galileu, n. 310, p. 46-53, 17 maio 2017, 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Qual a diferença entre Joesley Batista e Marcos Valério?

Marcos Valério foi condenado pelo STF a 37 anos de cadeia porque operava o esquema do "mensalão". Joesley e Wesley Batista não vão ser nem sequer processados, muito embora Joesley seja o líder de uma grande "organização criminosa" (Badaró, 2017, p. 56) e tenha confessado crimes envolvendo quantias de dinheiro que deixam o "mensalão" no chinelo.

Ah, mas alguém pode lembrar que o acordo de leniência firmado pela holding J&F, que controla a JBS e é presidida por Joesley, determina o pagamento de R$ 10 bilhões, valor que é o maior já pago em acordos desse tipo. O problema é que esse dinheiro vai ser pago em prestações a perder de vista (25 anos) e corresponde a apenas 5,6% do faturamento obtido pela J&F só no ano de 2016. Os irmãos Batista não vão precisar vender nenhum patrimônio pessoal para pagar o acordo. Não vão diminuir em nada o padrão de vida sultanesco que conquistaram com a corrupção.